# A Cabra-cabriola

_Retold by Talerie (talerie.com) from Folk-lore pernambucano, after Francisco Augusto Pereira da Costa_ · 3 min read · ages 6+

Uma mãe pobre deixa os três filhinhos sós à noite, e a Cabra-cabriola aprende escondida a cantiga da mãe e vai a um ferreiro para ter a própria língua batida na bigorna. Quando a mãe sai para trabalhar, a Cabra-cabriola canta na porta e, assim que as crianças correm para abrir, devora os três irmãos, morta de fome.

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Nas histórias que se contavam em Pernambuco, nenhum bicho assustava mais as crianças do que a Cabra-cabriola. Ela tinha uma bocarra enorme, dentes afiadíssimos, e soltava fogo pelos olhos, pelo nariz e pela boca. De noite, entrava nas casas sem ninguém perceber e comia os meninos que encontrava.

Era uma vez uma mulher pobre que tinha três filhinhos pequenos. Toda noite ela saía para ganhar o sustento deles e deixava as crianças sozinhas em casa.

Antes de sair, a mãe sempre recomendava:

— Meus filhinhos, cuidado com a Cabra-cabriola. Não abram a porta para ninguém, só para mim. Vocês conhecem a minha voz e conhecem a minha cantiga.

Certa noite, a Cabra-cabriola chegou e bateu na porta.

— Filhinhos, sou a mãe de vocês. Abram a porta!

Mas aquela voz era grossa, rouca e horrível, e o bicho não cantou cantiga nenhuma, porque não sabia qual era. Os meninos ficaram quietinhos e não abriram.

Furiosa, a Cabra-cabriola foi embora berrando:

Eu sou a Cabra-cabriola,  
que come meninos aos pares,  
e também vou comer vocês,  
seus pirralhos de nada!

Só que ela não foi para longe. Deu a volta, se escondeu no escuro perto da casa e ficou esperando a mulher chegar.

Quando a mãe voltou, já de madrugada, cantou baixinho na porta, como fazia sempre:

Filhinhos, filhinhos,  
abram a porta,  
que eu sou a mãe de vocês;  
trago lenha nas costas,  
sal na moleira,  
fogo nos olhos,  
água na boca  
e leite nos peitos  
para criar vocês.

Escondida, a Cabra-cabriola escutou tudo. Aprendeu a cantiga inteirinha e guardou bem o som daquela voz.

No dia seguinte, foi até a oficina de um ferreiro.

— Seu ferreiro, quero que o senhor bata a minha língua na bigorna.

O ferreiro bateu, bateu e bateu, até a voz grossa ficar fina e mansa, igualzinha à da mãe dos meninos.

Quando escureceu, a Cabra-cabriola voltou e ficou espiando a casa de longe. Viu a mulher sair para o trabalho, esperou um pouco, foi até a porta, bateu e cantou:

Filhinhos, filhinhos,  
abram a porta,  
que eu sou a mãe de vocês;  
trago lenha nas costas,  
sal na moleira,  
fogo nos olhos,  
água na boca  
e leite nos peitos  
para criar vocês.

Certas de que era a mãe delas, as pobres crianças correram contentes para abrir a porta.

Mas quem estava lá fora era a Cabra-cabriola, morta de fome. Avançou sobre os três irmãos e devorou todos eles.

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- Author's country: Brazil (https://talerie.com/pt/contos/pais/brasil)
- Subject (Wikidata): https://www.wikidata.org/wiki/Q12350459
- Source: Folk-lore pernambucano, Francisco Augusto Pereira da Costa, Revista do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, t. LXX, parte II (Rio de Janeiro, 1908), «Cabra-cabriola», pp. 80-81 (https://archive.org/details/instituto-historico-e-geografico-brasileiro-revista_1908_70_part-2)
- Public-domain basis: Talerie contemporary retelling (CC0 2026), based on: Folk-lore pernambucano, Francisco Augusto Pereira da Costa, Revista do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, t. LXX, parte II (Rio de Janeiro, 1908), «Cabra-cabriola», pp. 80-81 — original: author died 1923 (+70 passed)
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