# João e o Pé de Feijão

_Joseph Jacobs_ · 13 min read · ages 5-10

João troca a vaca por feijões mágicos, que da noite para o dia viram um pé de feijão até o céu, e lá em cima ele tira de um ogro um saco de ouro, a galinha dos ovos de ouro e a harpa. Perseguido pelo ogro, João desce e derruba o pé de feijão com o machado, ele e a mãe ficam ricos e o menino se casa com uma princesa.

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Era uma vez uma viúva pobre que morava com o filho único, João, e com uma vaca chamada Branquinha. Os dois viviam do leite que a Branquinha dava todas as manhãs e que eles levavam para vender na feira. Mas uma manhã a vaca não deu leite nenhum, e mãe e filho ficaram sem saber o que fazer.

— O que vai ser de nós, o que vai ser de nós? — dizia a viúva, torcendo as mãos.

— Não fique assim, mãe. Vou procurar trabalho — disse João.

— Já tentamos isso, e ninguém quis você — respondeu ela. — Não tem jeito: vamos vender a Branquinha e, com o dinheiro, começar alguma coisa, abrir um negócio, sei lá.

— Está bem, mãe — disse João. — Hoje é dia de feira. Vendo a Branquinha num instante e depois a gente vê o que faz.

Pegou a vaca pelo cabresto e saiu. Não tinha andado muito quando encontrou um velhinho de cara engraçada.

— Bom dia, João — disse o velho.

— Bom dia para o senhor — respondeu o menino, sem entender como aquele homem sabia o nome dele.

— E para onde você vai? — perguntou o velho.

— Para a feira, vender esta vaca.

— Você tem cara de quem entende de vender vaca — disse o velho. — Será que sabe quantos feijões fazem cinco?

— Dois em cada mão e um na boca — respondeu João, esperto como ele só.

— Isso mesmo. E aqui estão eles, os próprios feijões.

O velho tirou do bolso um punhado de feijões de aspecto estranho.

— Já que você é tão esperto — continuou —, faço uma troca com você: a sua vaca por estes feijões.

— Essa é boa! — riu João. — O senhor bem que queria.

— Ah, você não sabe o que são estes feijões — disse o homem. — Plante hoje à noite e, de manhã, eles já terão crescido até o céu.

— Sério? — disse João. — Não acredito.

— É assim mesmo. E, se não for verdade, você fica com a sua vaca de volta.

— Fechado — disse João.

E entregou o cabresto da Branquinha, guardando os feijões no bolso. Como não tinha ido longe, ainda nem havia escurecido quando chegou de volta à porta de casa.

— Já de volta, João? — disse a mãe. — Vejo que a Branquinha não está com você, então vendeu. Quanto conseguiu por ela?

— A senhora nunca vai adivinhar, mãe.

— Não diga! Esse é o meu filho! Cinco moedas? Dez? Quinze? Não vai me dizer que foram vinte.

— Eu falei que a senhora não ia adivinhar. O que a senhora acha destes feijões? São mágicos. É só plantar de noite e...

— O quê? — gritou a mãe. — Você foi capaz de dar a minha Branquinha, a melhor leiteira daqui, por um punhado de feijões sem valor? Pois é lá que eles vão parar, pela janela! E agora, para a cama, sem jantar.

João subiu para o quartinho dele no sótão, triste da vida, tanto pela mãe quanto pela janta perdida. Acabou pegando no sono.

Quando acordou, o quarto estava esquisito. O sol entrava só por um pedaço, e todo o resto continuava na sombra. João se levantou num pulo, se vestiu e foi até a janela. E o que foi que ele viu? Os feijões que a mãe tinha jogado no quintal haviam brotado e virado um pé de feijão enorme, que subia, subia, subia até o céu. O velho tinha falado a verdade, afinal.

O pé de feijão passava rente à janela, trançado feito uma escada de corda. João abriu a janela, deu um pulo e se agarrou nele. Subiu, subiu, subiu, subiu, até chegar ao céu. Lá em cima encontrou uma estrada larga e reta feito uma flecha. Andou, andou, andou, até chegar a uma casa enorme, altíssima. Na porta estava uma mulher enorme, altíssima.

— Bom dia, senhora — disse João, muito educado. — A senhora teria a bondade de me dar um café da manhã?

Ele não comia nada desde a véspera e estava com uma fome de leão.

— Café da manhã, é? — disse a mulher. — Café da manhã é o que você vai virar, se não sair já daqui. Meu marido é um ogro, e não existe nada de que ele goste mais do que menino assado na torrada. É melhor ir andando, que ele está para chegar.

— Ah, por favor, senhora, me dê alguma coisa para comer. Não como nada desde ontem de manhã, juro que é verdade — disse João. — Tanto faz virar assado ou morrer de fome.

No fundo, a mulher do ogro não era má pessoa. Levou o menino para a cozinha e lhe deu um naco de pão, um pedaço de queijo e uma caneca de leite. Mas João não tinha comido nem a metade quando tum! tum! tum!, a casa inteira começou a tremer com os passos de alguém que chegava.

— Minha nossa, é o meu velho! — disse a mulher. — O que é que eu faço agora? Vem, depressa, entra aqui.

E enfiou João dentro do forno, bem na hora em que o ogro entrou.

Era grande mesmo. Trazia no cinto três bezerros pendurados, que soltou e jogou em cima da mesa.

— Toma, mulher, assa dois destes para o meu café da manhã — disse ele. Então parou, farejando o ar. — Mas que cheiro é este?

Fum, fem, fim, fom,  
sinto cheiro de menino aqui perto.  
Esteja vivo, esteja morto,  
com os ossos dele eu faço o meu pão.

— Bobagem, meu bem — disse a mulher. — Você está sonhando. Ou então é o cheiro que sobrou do jantar de ontem. Vá se lavar e se ajeitar, que, quando voltar, o café já está pronto.

O ogro saiu, e João já ia pular do forno e correr quando a mulher fez que não com a cabeça.

— Espere ele dormir — disse ela baixinho. — Depois de comer, ele sempre tira um cochilo.

O ogro tomou seu café da manhã, foi até uma arca enorme e tirou de dentro dois sacos de ouro. Sentou-se para contar as moedas, até que a cabeça começou a pender e ele começou a roncar tão forte que a casa tremeu de novo.

Então João saiu do forno na ponta dos pés, passou bem ao lado do ogro, pegou um dos sacos de ouro, pôs debaixo do braço e correu até o pé de feijão. Jogou o saco lá para baixo (caiu direitinho no quintal da mãe) e desceu, desceu, desceu, até chegar em casa.

— Então, mãe? Eu não disse que os feijões prestavam? — falou ele, mostrando o ouro. — São mesmo mágicos, viu?

Os dois viveram daquele saco de ouro por um bom tempo. Mas o ouro acabou, e João resolveu tentar a sorte outra vez lá no alto do pé de feijão. Numa bela manhã, levantou cedo, se agarrou ao tronco e subiu, subiu, subiu, até chegar de novo à estrada e à casa enorme. E lá estava, na porta, a mulher altíssima.

— Bom dia, senhora — disse João, com a maior cara de pau. — A senhora poderia me dar alguma coisa para comer?

— Vá embora, menino — disse ela —, senão meu marido come você no café da manhã. Mas espere: você não é aquele que apareceu aqui um dia desses? Sabe que foi justamente naquele dia que sumiu um saco de ouro do meu marido?

— Que estranho, senhora — disse João. — Até acho que eu poderia contar alguma coisa sobre isso, mas estou com tanta fome que não consigo falar antes de comer.

A mulher ficou tão curiosa que levou o menino para dentro e lhe deu comida. João mal tinha começado a mastigar, o mais devagar que conseguia, quando ouviram tum! tum! tum!, os passos do ogro, e a mulher o escondeu no forno.

Tudo aconteceu como da outra vez. O ogro entrou, farejou o ar e trovejou:

Fum, fem, fim, fom,  
sinto cheiro de menino aqui perto.  
Esteja vivo, esteja morto,  
com os ossos dele eu faço o meu pão.

A mulher acalmou o marido como da primeira vez, e o ogro comeu seu café da manhã sem desconfiar de nada.

— Mulher, traz aqui a galinha dos ovos de ouro — disse ele depois.

A mulher trouxe a galinha e pôs em cima da mesa.

— Bota! — mandou o ogro.

E a galinha botou um ovo de ouro puro. Pouco depois, a cabeça do ogro começou a pender e ele roncava tanto que a casa tremia.

João saiu do forno na ponta dos pés, agarrou a galinha e disparou. Mas dessa vez a galinha soltou um cacarejo que acordou o ogro, e, bem quando o menino passava pela porta, ouviu o vozeirão lá dentro:

— Mulher, mulher, o que você fez com a minha galinha de ouro?

E a mulher respondeu:

— Ué, meu bem?

Foi tudo o que João ouviu, porque correu para o pé de feijão e desceu mais depressa do que nunca. Em casa, mostrou a galinha maravilhosa para a mãe e disse:

— Bota!

E a galinha botou um ovo de ouro. E botava outro toda vez que ele mandava.

Mesmo assim João não se contentou, e não demorou muito para querer tentar a sorte mais uma vez lá em cima. Numa bela manhã, levantou cedo e subiu, subiu, subiu até o alto. Dessa vez, porém, não foi direto à casa do ogro. Ficou escondido atrás de um arbusto até ver a mulher sair com um balde para buscar água e então entrou de mansinho e se enfiou dentro de um grande caldeirão de cobre. Não fazia muito tempo que estava ali quando ouviu tum! tum! tum!, como das outras vezes, e o ogro entrou com a mulher.

Fum, fem, fim, fom,  
sinto cheiro de menino aqui perto.  
Esteja vivo, esteja morto,  
com os ossos dele eu faço o meu pão.

— Sinto o cheiro dele, mulher, sinto o cheiro dele!

— Sente mesmo, meu querido? — disse a mulher do ogro. — Então, se for aquele pestinha que levou o seu ouro e a galinha dos ovos de ouro, ele com certeza está dentro do forno.

Os dois correram até o forno. Por sorte, João não estava lá.

— Lá vem você de novo com esse seu fum, fem, fim, fom — disse a mulher. — Claro que é o cheiro do jantar de ontem, que eu esquentei para o seu café da manhã. Como você é desatento, que nem sabe distinguir um cheiro do outro!

O ogro sentou-se e comeu, mas de vez em quando resmungava:

— Ora, eu podia jurar que...

E se levantava para revistar a despensa, os armários, tudo. Por sorte, não se lembrou do caldeirão de cobre.

Terminado o café da manhã, ele chamou:

— Mulher, mulher, traz aqui a minha harpa de ouro.

A mulher trouxe a harpa e pôs na mesa, diante dele.

— Cante! — mandou o ogro.

E a harpa cantou, cantou tão bonito que dava gosto de ouvir. Cantou até o ogro adormecer e começar a roncar feito trovão.

Então João levantou a tampa do caldeirão bem devagarinho, desceu quietinho feito um rato e engatinhou até a mesa. Levantou-se, agarrou a harpa de ouro e disparou para a porta. Mas a harpa gritou bem alto:

— Patrão! Patrão!

E o ogro acordou bem a tempo de ver o menino fugindo com ela.

João correu o mais depressa que pôde, e o ogro veio atrás. Teria alcançado o menino, mas João tinha saído na frente, deu umas voltas para despistá-lo e sabia muito bem para onde ia. Quando chegou ao pé de feijão, o ogro estava a uns vinte passos. De repente, o menino sumiu. E, quando o ogro chegou ao fim da estrada, viu João lá embaixo, descendo o mais rápido que conseguia.

O ogro não gostou nada da ideia de confiar o próprio peso àquela escada e ficou parado, esperando, o que deu ao menino mais uma dianteira. Mas então a harpa gritou de novo:

— Patrão! Patrão!

E o ogro se jogou no pé de feijão, que balançou todo com o peso dele. João descia, e o ogro descia atrás. O menino desceu, desceu, desceu, até chegar quase em casa, e então gritou:

— Mãe! Mãe! Traga o machado, traga o machado!

A mãe veio correndo com o machado na mão, mas, quando chegou ao pé de feijão, ficou paralisada de medo: lá em cima, saindo de dentro das nuvens, vinha o ogro.

João pulou no chão, pegou o machado e deu um golpe no tronco, que rachou pela metade. O ogro sentiu o pé de feijão estremecer e parou para ver o que estava acontecendo. Então João deu outro golpe, o tronco se partiu e a planta inteira começou a tombar. O ogro despencou lá de cima, e ninguém nunca mais ouviu falar dele. O pé de feijão veio tombando atrás.

Depois disso, João mostrou à mãe a harpa de ouro. Com a harpa e com os ovos que a galinha botava e que eles iam vendendo, os dois ficaram muito ricos. E João se casou com uma princesa, e foram felizes para sempre.

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- Read online: https://talerie.com/pt/contos/joao-e-o-pe-de-feijao
- Source: English Fairy Tales, collected by Joseph Jacobs (Project Gutenberg #7439) (https://www.gutenberg.org/ebooks/7439)
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