# José do Egito

_Retold by Talerie (talerie.com) from Bíblia de Almeida_ · 35 min read · ages 7+

Vendido pelos irmãos e levado ao Egito, José passa pela prisão e explica os sonhos do faraó, que o põe à frente de todo o país. Quando os irmãos vêm comprar trigo, José os põe à prova, se dá a conhecer chorando abraçado a Benjamim e manda carroças buscar Jacó, que, ao vê-las, volta a ter ânimo porque o filho está vivo.

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Jacó morava na terra de Canaã, a mesma terra onde o pai dele tinha vivido como estrangeiro.

Esta é a história da família de Jacó. José tinha dezessete anos e cuidava do rebanho junto com os irmãos, os filhos de Bila e de Zilpa, que também eram mulheres do pai dele. E José levava ao pai as coisas ruins que se falavam dos irmãos.

Jacó amava José mais do que a todos os outros filhos, porque ele era o filho da sua velhice, e mandou fazer para ele uma túnica colorida. Quando os irmãos viram que o pai gostava mais dele do que de todos eles, passaram a odiá-lo e não conseguiam mais falar com ele em paz.

Certa vez, José teve um sonho e foi contá-lo aos irmãos, e com isso a raiva deles só cresceu.

— Escutem, por favor, o sonho que eu tive — disse José. — Nós estávamos amarrando feixes de trigo no meio do campo. De repente, o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os feixes de vocês ficaram em volta dele e se curvaram diante do meu.

— Então quer dizer que você vai mesmo reinar sobre nós? — disseram os irmãos.

E o odiaram ainda mais, por causa dos sonhos e das coisas que ele dizia.

Pouco depois, José teve outro sonho e também o contou aos irmãos:

— Tive mais um sonho. O sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim.

Quando contou esse sonho ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu:

— Que sonho é esse que você teve? Será que eu, sua mãe e seus irmãos vamos mesmo nos curvar até o chão na sua frente?

Os irmãos ficaram com inveja dele, mas o pai guardou aquilo no coração.

Um dia, os irmãos foram levar o rebanho do pai para pastar perto de Siquém. Então Jacó disse a José:

— Seus irmãos não estão com o rebanho perto de Siquém? Venha, vou mandar você até eles.

— Estou pronto — respondeu José.

— Vá ver se está tudo bem com seus irmãos e com o rebanho, e depois volte para me contar.

Jacó mandou José partir do vale de Hebrom, e o rapaz foi até Siquém. Lá, um homem o encontrou andando sem rumo pelo campo e perguntou:

— O que você está procurando?

— Estou procurando meus irmãos — respondeu José. — O senhor pode me dizer, por favor, onde eles estão com o rebanho?

— Eles foram embora daqui — disse o homem. — Ouvi quando diziam: “Vamos para Dotã.”

José foi atrás dos irmãos e os encontrou em Dotã. Eles o viram de longe e, antes que ele chegasse perto, combinaram matá-lo.

— Lá vem o grande sonhador! — disseram uns aos outros. — Venham, vamos matá-lo e jogá-lo num destes poços. Depois dizemos que um animal selvagem o devorou, e aí vamos ver no que dão os sonhos dele!

Rúben ouviu aquilo e quis livrar José das mãos deles.

— Não vamos tirar a vida dele — disse. — Não derramem sangue. Joguem o rapaz neste poço aqui no deserto, mas não encostem a mão nele.

Rúben dizia isso porque queria salvar José e levá-lo de volta para o pai.

Quando José chegou perto dos irmãos, eles arrancaram dele a túnica colorida que ele estava usando. Depois o agarraram e o jogaram no poço. Era um poço seco, sem água nenhuma.

Em seguida se sentaram para comer. Quando levantaram os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Os camelos vinham carregados de especiarias, bálsamo e mirra, e iam levar tudo aquilo para o Egito.

Então Judá disse aos irmãos:

— Que vantagem nós temos em matar o nosso irmão e esconder a morte dele? Venham, vamos vendê-lo a esses ismaelitas, sem levantar a mão contra ele. Afinal, ele é nosso irmão, do nosso próprio sangue.

Os irmãos concordaram. Quando os comerciantes midianitas da caravana passaram por ali, os irmãos puxaram José para fora do poço e o venderam aos ismaelitas por vinte moedas de prata. E os ismaelitas levaram José para o Egito.

Rúben voltou ao poço e viu que José não estava mais lá. Desesperado, rasgou a roupa, voltou para junto dos irmãos e disse:

— O rapaz sumiu! E eu, para onde é que eu vou agora?

Então eles pegaram a túnica de José, mataram um cabrito e mergulharam a túnica no sangue. Mandaram levar a túnica colorida ao pai e disseram:

— Achamos isto. Veja se é ou não a túnica do seu filho.

Jacó a reconheceu e disse:

— É a túnica do meu filho! Um animal selvagem o devorou. José foi despedaçado, não há dúvida.

Jacó rasgou a roupa, amarrou pano de saco na cintura e chorou pelo filho durante muitos dias. Todos os filhos e todas as filhas vieram consolá-lo, mas ele não quis consolo.

— Vou descer chorando à sepultura, para junto do meu filho — dizia.

E assim o pai chorou por José.

Enquanto isso, os comerciantes chegaram ao Egito com José e lá o venderam a Potifar, um egípcio que era oficial do faraó e capitão da guarda. Foi das mãos dos ismaelitas que Potifar comprou o rapaz.

Deus estava com José, e tudo dava certo para ele. José vivia na casa do egípcio que o tinha comprado. Potifar percebeu que Deus estava com ele e que fazia prosperar tudo o que José punha nas mãos. Então José caiu nas graças dele e passou a servi-lo de perto, e Potifar o pôs à frente da sua casa e confiou a ele tudo o que tinha.

Desde esse dia, Deus abençoou a casa do egípcio por causa de José, e a bênção de Deus estava sobre tudo o que Potifar tinha, na casa e no campo. Potifar deixou tudo nas mãos de José e não se preocupava com mais nada, a não ser com a própria comida.

José era um rapaz bonito, de boa aparência.

Algum tempo depois, a mulher de Potifar pôs os olhos em José e lhe disse:

— Deite-se comigo.

Mas José recusou e disse à mulher do seu senhor:

— Veja: o meu senhor confiou tudo o que tem às minhas mãos e nem quer saber do que se passa nesta casa. Ninguém aqui dentro está acima de mim, e ele não me negou coisa nenhuma, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como é que eu faria uma maldade tão grande e pecaria contra Deus?

Ela falava com José todos os dias, mas ele não lhe dava ouvidos nem aceitava deitar-se ao lado dela e ficar com ela.

Um dia, José entrou na casa para fazer o seu trabalho, e nenhum dos empregados estava lá dentro. Ela o agarrou pela roupa e disse:

— Deite-se comigo.

José largou a roupa na mão dela e fugiu correndo para fora.

Quando ela viu que José tinha deixado a roupa na mão dela e fugido, chamou os empregados da casa e disse:

— Vejam só! O meu marido trouxe esse hebreu para zombar de nós. Ele veio até mim para se deitar comigo, e eu gritei bem alto. Quando me ouviu levantar a voz e gritar, largou a roupa aqui comigo e fugiu lá para fora.

Ela ficou com a roupa de José ao lado dela até o marido voltar para casa. Então contou a ele a mesma história:

— Aquele servo hebreu que você nos trouxe veio até mim para zombar de mim. Mas, quando eu levantei a voz e gritei, ele largou a roupa aqui comigo e fugiu lá para fora.

Quando ouviu a mulher dizer “Foi isso que o seu servo me fez”, Potifar ficou furioso. Pegou José e o mandou para a prisão, o lugar onde ficavam os presos do rei. E lá José ficou, na prisão.

Mas Deus estava com José também ali. Foi bondoso com ele e fez o carcereiro gostar dele. O carcereiro entregou a José o cuidado de todos os presos, e era José quem fazia tudo o que se fazia ali dentro. O carcereiro não precisava se preocupar com nada do que estava nas mãos de José, porque Deus estava com ele e fazia dar certo tudo o que ele fazia.

Algum tempo depois, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe do rei do Egito cometeram uma falta contra o seu senhor, o rei. O faraó ficou muito irritado com esses dois oficiais e mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na mesma prisão onde José estava. O capitão da guarda encarregou José de servi-los, e os dois ficaram presos muitos dias.

Numa mesma noite, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe tiveram cada um o seu sonho, e cada sonho tinha o seu próprio significado. De manhã, quando José foi até eles, viu que estavam perturbados.

— Por que os senhores estão com essa cara tão triste hoje? — perguntou.

— Nós tivemos um sonho, e não há ninguém que saiba explicar o que ele quer dizer — responderam.

— Não é Deus quem dá o significado dos sonhos? — disse José. — Contem para mim, por favor.

O copeiro-chefe contou o seu sonho a José:

— No meu sonho, havia uma videira na minha frente, e a videira tinha três ramos. Assim que ela brotou, as flores se abriram e os cachos amadureceram em uvas. A taça do faraó estava na minha mão. Eu pegava as uvas, espremia o suco na taça do faraó e punha a taça na mão dele.

— O significado é este — disse José. — Os três ramos são três dias. Daqui a três dias, o faraó vai levantar a cabeça do senhor e devolver o seu cargo, e o senhor vai pôr a taça na mão dele, como fazia antes, quando era copeiro dele.

— Mas, quando tudo estiver bem com o senhor, lembre-se de mim. Faça-me esse favor: fale de mim ao faraó e me tire desta prisão. Eu fui raptado da terra dos hebreus, e aqui também não fiz nada para que me jogassem neste buraco.

O padeiro-chefe viu que a explicação tinha sido boa e disse a José:

— Eu também sonhei. Havia três cestos brancos na minha cabeça. No cesto de cima estavam todos os tipos de pães e doces que um padeiro prepara para o faraó, e as aves vinham comer do cesto que eu levava na cabeça.

— O significado é este — respondeu José. — Os três cestos são três dias. Daqui a três dias, o faraó também vai levantar a cabeça do senhor, mas para pendurar o senhor num poste de madeira, e as aves vão comer a sua carne.

No terceiro dia, que era o aniversário do faraó, ele deu um banquete para todos os seus servos. Diante de todos, mandou trazer o copeiro-chefe e o padeiro-chefe. Ao copeiro-chefe devolveu o cargo, e ele voltou a pôr a taça na mão do faraó. Mas o padeiro-chefe, o faraó mandou enforcar, exatamente como José tinha explicado.

O copeiro-chefe, porém, não se lembrou de José. Ele se esqueceu completamente do rapaz.

Passaram-se dois anos inteiros. Então o faraó sonhou que estava em pé na beira do rio. Do rio subiram sete vacas bonitas e gordas, que ficaram pastando no capim da margem. Depois delas subiram do rio outras sete vacas, feias e magras, e pararam ao lado das primeiras, na beira da água. E as vacas feias e magras comeram as sete vacas bonitas e gordas. Então o faraó acordou.

Ele dormiu de novo e teve outro sonho. Num só talo brotavam sete espigas cheias e bonitas. Depois delas brotaram sete espigas miúdas, queimadas pelo vento do leste. E as espigas miúdas devoraram as sete espigas grandes e cheias. Então o faraó acordou e viu que tinha sido um sonho.

De manhã, o faraó estava muito inquieto. Mandou chamar todos os magos e todos os sábios do Egito e lhes contou os seus sonhos, mas nenhum deles conseguiu explicá-los.

Foi então que o copeiro-chefe falou ao faraó:

— Hoje eu me lembro das minhas faltas. Uma vez Vossa Majestade ficou muito irritado com os seus servos e mandou me prender na casa do capitão da guarda, junto com o padeiro-chefe. Numa mesma noite, nós dois tivemos um sonho, e cada sonho tinha o seu significado. Estava lá conosco um rapaz hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos os sonhos a ele, e ele explicou o sonho de cada um. E tudo aconteceu exatamente como ele explicou: eu voltei ao meu cargo, e o padeiro foi enforcado.

O faraó mandou chamar José, e às pressas o tiraram do calabouço. José fez a barba, trocou de roupa e se apresentou diante do faraó.

— Tive um sonho, e ninguém consegue explicá-lo — disse o faraó. — Mas ouvi dizer que você, quando escuta um sonho, sabe dizer o que ele significa.

— Isso não vem de mim — respondeu José. — Mas Deus vai dar a Vossa Majestade uma resposta que lhe traga paz.

Então o faraó contou:

— No meu sonho, eu estava em pé na beira do rio. Do rio subiram sete vacas gordas e bonitas, que ficaram pastando no capim. Depois delas subiram outras sete vacas, tão feias e magras que nunca vi outras assim em toda a terra do Egito. As vacas magras e feias comeram as primeiras sete vacas, as gordas. Mas, depois de comê-las, ninguém diria que tinham comido alguma coisa, porque continuavam tão feias quanto antes. Então eu acordei.

— Depois vi em sonho sete espigas cheias e bonitas, que subiam de um só talo. Depois delas brotaram sete espigas secas, miúdas e queimadas pelo vento do leste. E as espigas miúdas devoraram as sete espigas bonitas. Contei isso aos magos, mas nenhum deles soube me explicar.

José disse ao faraó:

— Os dois sonhos de Vossa Majestade são um só: Deus mostrou a Vossa Majestade o que vai fazer. As sete vacas bonitas são sete anos, e as sete espigas bonitas também são sete anos. É um sonho só. As sete vacas magras e feias que subiram depois das outras são sete anos, e as sete espigas miúdas, queimadas pelo vento do leste, serão sete anos de fome.

— É como eu disse: Deus mostrou a Vossa Majestade o que vai fazer. Vão chegar sete anos de grande fartura em toda a terra do Egito. Depois deles virão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida no Egito, porque a fome vai acabar com a terra. Ninguém mais vai se lembrar da abundância, porque a fome que virá depois será terrível. E o sonho veio duas vezes a Vossa Majestade porque Deus já decidiu tudo isso e vai fazer acontecer muito em breve.

— Por isso, que Vossa Majestade procure agora um homem inteligente e sábio e o ponha à frente da terra do Egito. Que nomeie administradores para todo o país e recolha a quinta parte das colheitas do Egito durante os sete anos de fartura. Que eles juntem toda a comida desses anos bons que estão para vir e guardem o trigo nas cidades, sob as ordens de Vossa Majestade. Essa comida será a reserva do país para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, e assim a terra não vai morrer de fome.

O conselho agradou ao faraó e a todos os seus servos. E o faraó disse a eles:

— Será que vamos encontrar outro homem como este, que tem o espírito de Deus?

Depois disse a José:

— Já que Deus revelou tudo isso a você, não há ninguém tão inteligente e sábio quanto você. Você vai governar o meu palácio, e todo o meu povo vai obedecer às suas ordens. Só no trono eu serei maior que você. Veja: eu ponho você à frente de toda a terra do Egito.

O faraó tirou o anel do dedo e o pôs no dedo de José. Mandou vesti-lo com roupas de linho fino e pôs um colar de ouro no pescoço dele. Fez José subir no seu segundo carro de guerra, e diante dele gritavam: “De joelhos!” Assim o faraó pôs José à frente de toda a terra do Egito.

— Eu sou o faraó — disse ainda a José. — Mas, sem a sua ordem, ninguém vai levantar a mão nem o pé em toda a terra do Egito.

O faraó chamou José de Zafenate-Paneia e o casou com Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. E José saiu para percorrer o país. Ele tinha trinta anos quando se apresentou diante do faraó, o rei do Egito. Saiu da presença do faraó e percorreu de ponta a ponta a terra do Egito.

Nos sete anos de fartura, a terra deu colheitas enormes. José juntou toda a comida desses sete anos no Egito e a guardou nas cidades: em cada cidade guardava o que se colhia nos campos ao redor. Juntou trigo como a areia do mar, tanto que parou de contar, porque já não havia como medir.

Antes que chegassem os anos de fome, Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos. Ao primeiro ele deu o nome de Manassés, porque disse: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa do meu pai.” Ao segundo chamou Efraim, porque disse: “Deus me fez crescer na terra onde eu sofri.”

Os sete anos de fartura no Egito chegaram ao fim, e começaram os sete anos de fome, como José tinha dito. Havia fome em todos os países, mas em toda a terra do Egito havia pão.

Quando o Egito inteiro começou a passar fome, o povo foi pedir pão ao faraó, e o faraó disse a todos os egípcios:

— Vão falar com José e façam o que ele mandar.

A fome se espalhou por toda a terra. José abriu todos os depósitos onde havia comida e vendeu trigo aos egípcios, porque a fome apertava no Egito. E de todos os países vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porque a fome era terrível em toda parte.

Quando Jacó soube que havia trigo no Egito, disse aos filhos:

— Por que vocês estão aí olhando uns para os outros? Ouvi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e comprem trigo para nós, para que possamos viver e não morrer.

Então os dez irmãos de José desceram para comprar trigo no Egito. Mas Jacó não deixou que Benjamim, o irmão de José, fosse com os outros, porque tinha medo de que acontecesse alguma desgraça com ele. Assim os filhos de Jacó foram comprar trigo junto com muitos outros que iam para lá, porque havia fome também na terra de Canaã.

José era o governador do país, e era ele quem vendia trigo a todo o povo. Os irmãos de José chegaram e se curvaram diante dele com o rosto no chão. José viu os irmãos e os reconheceu, mas fingiu não conhecê-los e falou com eles com aspereza:

— De onde vocês vêm?

— Da terra de Canaã, para comprar comida — responderam.

José tinha reconhecido os irmãos, mas eles não o reconheceram. Então José se lembrou dos sonhos que tinha tido a respeito deles e disse:

— Vocês são espiões! Vieram ver onde o nosso país está desprotegido.

— Não, meu senhor! — responderam. — Seus servos vieram só comprar comida. Somos todos filhos do mesmo pai. Somos homens honestos, seus servos não são espiões.

— Não é verdade. Vocês vieram ver onde o país está desprotegido.

— Nós, seus servos, somos doze irmãos, filhos do mesmo pai, na terra de Canaã — disseram eles. — O mais novo está agora com o nosso pai, e um já não está entre nós.

— É como eu disse: vocês são espiões — respondeu José. — E vão ser postos à prova assim: pela vida do faraó, vocês não vão sair daqui enquanto o seu irmão mais novo não vier. Mandem um de vocês buscar o seu irmão, e os outros vão ficar presos. Assim vamos ver se o que vocês dizem é verdade. Se não for, pela vida do faraó, vocês são espiões!

E mandou prender todos juntos durante três dias.

No terceiro dia, José lhes disse:

— Façam o seguinte, e vão continuar vivos, porque eu temo a Deus. Se vocês são homens honestos, que um dos irmãos fique preso aqui, na prisão onde estão, e os outros podem ir e levar trigo para matar a fome das suas famílias. Mas tragam até mim o seu irmão mais novo. Assim vou saber que vocês diziam a verdade, e não vão morrer.

E eles concordaram. Então disseram uns aos outros:

— É verdade, somos culpados pelo que fizemos ao nosso irmão. Vimos a angústia dele quando nos implorava, e não quisemos ouvir. É por isso que agora esta angústia caiu sobre nós.

Rúben respondeu:

— Eu não falei para vocês: “Não façam mal ao rapaz”? Mas vocês não me ouviram. E agora estão nos cobrando o sangue dele.

Eles não sabiam que José entendia o que diziam, porque falavam com ele por meio de um intérprete. José se afastou deles e chorou. Depois voltou, falou com eles, separou Simeão dos outros e mandou amarrá-lo diante dos olhos de todos.

Em seguida, José mandou que enchessem de trigo os sacos dos irmãos, que pusessem de volta o dinheiro de cada um no seu saco e que lhes dessem comida para a viagem. E assim foi feito. Os irmãos carregaram o trigo nos jumentos e partiram.

No lugar onde pararam para passar a noite, um deles abriu o saco para dar comida ao jumento e viu o seu dinheiro ali, bem na boca do saco.

— Devolveram o meu dinheiro! — disse aos irmãos. — Olhem, está aqui no meu saco!

Eles ficaram de coração apertado e, assustados, diziam uns aos outros:

— O que é isso que Deus fez com a gente?

Quando chegaram à terra de Canaã, contaram ao pai, Jacó, tudo o que tinha acontecido:

— O homem que manda naquele país falou conosco com aspereza e nos tratou como espiões. Nós dissemos a ele: “Somos homens honestos, não somos espiões. Somos doze irmãos, filhos do mesmo pai. Um já não está entre nós, e o mais novo ficou com o nosso pai na terra de Canaã.”

— Então aquele homem, o senhor daquele país, nos disse: “Vou saber se vocês são honestos desta maneira: deixem comigo um dos seus irmãos, levem trigo para a fome das suas famílias e vão embora. Mas tragam até mim o seu irmão mais novo. Assim vou saber que vocês não são espiões, mas homens honestos. Então eu devolvo o seu irmão, e vocês vão poder fazer negócio no país.”

Quando esvaziaram os sacos, cada um encontrou no seu a trouxinha com o dinheiro. Ao verem as trouxinhas de dinheiro, eles e o pai ficaram com medo. Então Jacó lhes disse:

— Vocês estão me deixando sem filhos! José não está mais aqui, Simeão não está mais aqui, e agora querem levar Benjamim. Tudo isso cai em cima de mim!

Rúben disse ao pai:

— Pode matar os meus dois filhos se eu não trouxer Benjamim de volta. Deixe-o por minha conta, que eu o devolvo a você.

— Meu filho não vai descer com vocês — respondeu Jacó. — O irmão dele morreu, e só ele ficou. Se acontecer alguma desgraça com ele no caminho, vocês vão fazer os meus cabelos brancos descerem de tristeza à sepultura.

A fome continuava terrível naquela terra. Quando terminaram de comer o trigo que tinham trazido do Egito, o pai lhes disse:

— Voltem lá e comprem um pouco de comida para nós.

Mas Judá respondeu:

— Aquele homem nos avisou muito sério: “Vocês não vão ver o meu rosto se o seu irmão não vier com vocês.” Se você mandar o nosso irmão conosco, nós descemos e compramos comida para você. Mas, se não mandar, nós não descemos, porque aquele homem nos disse: “Vocês não vão ver o meu rosto se o seu irmão não vier com vocês.”

Jacó disse:

— Por que vocês me fizeram esse mal, contando àquele homem que tinham mais um irmão?

— Aquele homem nos fez muitas perguntas sobre nós e sobre a nossa família — responderam. — Ele perguntou: “O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão?” E nós só respondemos ao que ele perguntou. Como é que a gente ia adivinhar que ele ia dizer “Tragam o seu irmão”?

Então Judá disse a Jacó, seu pai:

— Mande o rapaz comigo, e vamos partir logo, para que possamos viver e não morrer, nem nós, nem você, nem os nossos filhos. Eu fico como fiador dele, e é a mim que você vai pedir contas. Se eu não o trouxer de volta e não o puser aqui na sua frente, que a culpa caia sobre mim para sempre. Se não tivéssemos perdido tanto tempo, a esta altura já teríamos ido e voltado duas vezes.

Então Jacó, o pai deles, disse:

— Se tem que ser assim, façam o seguinte. Ponham na bagagem o que esta terra tem de melhor e levem um presente para aquele homem: um pouco de bálsamo e um pouco de mel, especiarias e mirra, pistaches e amêndoas. Levem também o dobro do dinheiro e devolvam o dinheiro que voltou na boca dos sacos. Talvez tenha sido um engano.

— Peguem também o seu irmão e voltem até aquele homem. Que o Deus Todo-Poderoso faça aquele homem ter compaixão de vocês e deixar voltar com vocês o seu outro irmão e também Benjamim. Quanto a mim, se tiver de perder os meus filhos, que eu os perca.

Os homens pegaram o presente, o dobro do dinheiro e Benjamim. Partiram, desceram ao Egito e se apresentaram diante de José.

Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador da sua casa:

— Leve estes homens para a minha casa, mande matar um animal e prepare a comida, porque eles vão almoçar comigo ao meio-dia.

O administrador fez o que José tinha mandado e levou os homens para a casa de José. Os irmãos ficaram com medo por terem sido levados até lá, e diziam:

— É por causa do dinheiro que voltou nos nossos sacos da outra vez que nos trouxeram aqui. Ele quer nos acusar, cair em cima de nós e nos tornar escravos, junto com os nossos jumentos.

Por isso se aproximaram do administrador da casa de José e falaram com ele na porta:

— Por favor, meu senhor! Da outra vez nós viemos mesmo só para comprar comida. Mas, quando paramos para passar a noite e abrimos os sacos, o dinheiro de cada um estava na boca do saco, o valor certinho. Nós o trouxemos de volta. E trouxemos também mais dinheiro para comprar comida. Não sabemos quem pôs o nosso dinheiro nos sacos.

— Fiquem em paz, não tenham medo — respondeu o administrador. — Foi o Deus de vocês, o Deus do pai de vocês, que pôs um tesouro nos seus sacos. O dinheiro de vocês eu recebi.

E trouxe Simeão para junto deles.

Depois o administrador levou os homens para dentro da casa de José, deu água para eles lavarem os pés e deu comida aos jumentos. Os irmãos arrumaram o presente para quando José chegasse, ao meio-dia, porque tinham ouvido dizer que iam comer ali.

Quando José chegou em casa, eles lhe entregaram o presente que tinham trazido e se curvaram diante dele até o chão. José perguntou como eles estavam e disse:

— O pai de vocês, o velho de quem me falaram, está bem? Ainda está vivo?

— Seu servo, o nosso pai, está bem e ainda vive — responderam.

E inclinaram a cabeça e se curvaram de novo.

José levantou os olhos e viu Benjamim, seu irmão, filho da sua mãe.

— Este é o irmão mais novo de quem vocês me falaram? — perguntou. — Que Deus lhe dê a sua graça, meu filho.

E José saiu depressa, porque estava profundamente comovido por causa do irmão e precisava de um lugar para chorar. Entrou no seu quarto e chorou ali. Depois lavou o rosto, voltou e, contendo-se, disse:

— Sirvam a comida.

Serviram José numa mesa à parte, os irmãos em outra, e os egípcios que comiam com ele em outra ainda, porque os egípcios não podiam comer junto com os hebreus: para eles, isso era uma coisa detestável.

Os irmãos foram colocados à mesa diante de José por ordem de idade, do mais velho ao mais novo, e olhavam uns para os outros, espantados. José mandava levar para eles porções da comida que estava na sua frente, mas a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a de qualquer um dos outros. E eles beberam e se alegraram junto com ele.

Depois José deu esta ordem ao administrador da sua casa:

— Encha de comida os sacos desses homens, tanto quanto puderem carregar, e ponha o dinheiro de cada um na boca do saco. E a minha taça, a taça de prata, ponha na boca do saco do mais novo, junto com o dinheiro do trigo dele.

E o administrador fez o que José tinha mandado.

Ao clarear o dia, os homens foram mandados embora com os seus jumentos. Mal tinham saído da cidade, e ainda não estavam longe, quando José disse ao administrador:

— Vá logo atrás daqueles homens. Quando os alcançar, diga a eles: “Por que vocês pagaram o bem com o mal? Não é esta a taça em que o meu senhor bebe e com a qual ele adivinha as coisas? Vocês fizeram uma coisa muito feia.”

O administrador os alcançou e repetiu essas mesmas palavras. Eles responderam:

— Por que o meu senhor diz uma coisa dessas? Seus servos nunca fariam uma coisa assim! Veja: o dinheiro que encontramos na boca dos sacos, nós trouxemos de volta para o senhor lá da terra de Canaã. Como é que íamos roubar prata ou ouro da casa do seu patrão? Se a taça for encontrada com algum de nós, que ele morra, e o resto de nós será escravo do meu senhor.

— Que seja como vocês dizem — respondeu o administrador. — Mas só aquele com quem ela for encontrada será meu escravo, e vocês ficarão livres de culpa.

Depressa, cada um pôs o seu saco no chão e o abriu. O administrador procurou, começando pelo mais velho e terminando no mais novo, e a taça foi encontrada no saco de Benjamim. Então os irmãos rasgaram a roupa, cada um carregou de novo o seu jumento, e todos voltaram para a cidade.

Judá e os irmãos chegaram à casa de José, que ainda estava lá, e se jogaram no chão diante dele.

— O que foi que vocês fizeram? — perguntou José. — Não sabiam que um homem como eu sabe adivinhar?

— O que vamos dizer ao meu senhor? — respondeu Judá. — O que podemos falar? Como vamos provar a nossa inocência? Deus descobriu a culpa dos seus servos. Aqui estamos: somos escravos do meu senhor, nós e também aquele com quem a taça foi encontrada.

— Longe de mim fazer uma coisa dessas! — disse José. — Só o homem com quem a taça foi encontrada vai ser meu escravo. Quanto a vocês, voltem em paz para o seu pai.

Então Judá se aproximou dele e disse:

— Por favor, meu senhor, deixe o seu servo dizer uma palavra ao meu senhor, e não fique irado com o seu servo, porque o senhor é como o próprio faraó.

— O meu senhor perguntou a seus servos: “Vocês têm pai ou irmão?” E nós respondemos ao meu senhor: “Temos um pai já velho e um irmão, o mais novo, o filho da velhice dele. O irmão desse rapaz morreu, e ele é o único filho que restou da mãe dele, e o pai o ama.”

— Então o senhor disse a seus servos: “Tragam o rapaz até mim, quero vê-lo com os meus próprios olhos.” E nós dissemos ao meu senhor: “O rapaz não pode deixar o pai. Se ele deixar o pai, o pai morre.” Mas o senhor disse a seus servos: “Se o seu irmão mais novo não vier com vocês, nunca mais vão ver o meu rosto.”

— Quando voltamos para junto do nosso pai, contamos a ele as palavras do meu senhor. Depois o nosso pai disse: “Voltem lá e comprem um pouco de comida para nós.” E nós respondemos: “Não podemos descer. Só descemos se o nosso irmão mais novo for conosco, porque não vamos poder ver o rosto daquele homem se o nosso irmão mais novo não estiver com a gente.”

— Então o nosso pai nos disse: “Vocês sabem que a minha mulher me deu dois filhos. Um deles saiu de perto de mim, e eu disse: ‘Com certeza foi despedaçado’, e nunca mais o vi. Se vocês tirarem também este de perto de mim e acontecer alguma desgraça com ele, vão fazer os meus cabelos brancos descerem de dor à sepultura.”

— Por isso, se eu voltar agora para o meu pai e o rapaz não estiver conosco, como a vida dele está presa à vida do rapaz, ele vai ver que o rapaz não voltou e vai morrer. E nós, seus servos, teremos feito descer de tristeza à sepultura os cabelos brancos do nosso pai. Este seu servo ficou como fiador do rapaz diante do meu pai. Eu disse: “Se eu não o trouxer de volta para você, que a culpa caia sobre mim para sempre.”

— Por isso, peço ao senhor que deixe o seu servo ficar aqui no lugar do rapaz, como escravo do meu senhor, e que o rapaz volte com os irmãos. Como é que eu vou voltar para o meu pai sem o rapaz comigo? Não quero ver a desgraça que vai cair sobre o meu pai.

Então José não conseguiu mais se conter diante de todos os que estavam ali e gritou:

— Mandem todo mundo sair de perto de mim!

E ninguém ficou com ele quando José se deu a conhecer aos irmãos. Ele chorou tão alto que os egípcios ouviram, e até no palácio do faraó se ouviu.

— Eu sou José! — disse aos irmãos. — Meu pai ainda está vivo?

Os irmãos não conseguiram responder, de tão assustados que ficaram diante dele.

— Cheguem mais perto, por favor — disse José.

Eles se aproximaram, e ele disse:

— Eu sou José, o irmão de vocês, que vocês venderam para o Egito. Mas não fiquem tristes nem se culpem por terem me vendido para cá, porque foi para salvar vidas que Deus me mandou na frente de vocês. Já faz dois anos que há fome na terra, e ainda faltam cinco anos em que não vai haver nem plantio nem colheita.

— Deus me mandou na frente de vocês para que a nossa família continue na terra e para salvar a vida de vocês de um modo extraordinário. Então não foram vocês que me mandaram para cá, foi Deus. Ele me fez como um pai para o faraó, senhor de toda a casa dele e governador de toda a terra do Egito.

— Depressa, voltem para junto do meu pai e digam a ele: “Assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Venha até aqui, não demore. Você vai morar na terra de Gósen e vai ficar perto de mim, você, seus filhos e seus netos, suas ovelhas, suas vacas e tudo o que é seu. Lá eu vou cuidar de você, porque ainda vão ser cinco anos de fome, e não quero que você, a sua família e tudo o que é seu caiam na miséria.”

— Vocês estão vendo com os próprios olhos, e o meu irmão Benjamim também está vendo, que sou eu mesmo quem está falando com vocês. Contem ao meu pai como sou honrado no Egito e tudo o que vocês viram. E tragam o meu pai para cá depressa.

Então José se jogou nos braços do irmão Benjamim e chorou, e Benjamim também chorou abraçado a ele. Depois José beijou todos os irmãos e chorou abraçado a cada um. Só então os irmãos conseguiram conversar com ele.

A notícia chegou ao palácio do faraó: “Os irmãos de José chegaram!” O faraó e os seus servos ficaram contentes, e o faraó disse a José:

— Diga aos seus irmãos: “Façam o seguinte: carreguem os seus animais e voltem para a terra de Canaã. Busquem o seu pai e as suas famílias e venham para cá. Eu vou dar a vocês o que há de melhor no Egito, e vocês vão viver da fartura desta terra.”

— E diga também a eles, porque é uma ordem minha: “Levem do Egito carroças para as suas crianças e as suas mulheres, tragam o seu pai e venham. Não se preocupem com as coisas que vão deixar para trás, porque o melhor de toda a terra do Egito será de vocês.”

Os filhos de Jacó fizeram assim. José lhes deu carroças, como o faraó tinha mandado, e também comida para a viagem. A cada um deu roupas novas, mas a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa. Ao pai mandou dez jumentos carregados com as melhores coisas do Egito e dez jumentos carregados de trigo, pão e comida para a viagem dele.

Depois se despediu dos irmãos, e, quando eles já partiam, disse:

— Não briguem pelo caminho.

Eles saíram do Egito e subiram até a terra de Canaã, onde estava Jacó, o pai deles. E lhe deram a notícia:

— José ainda está vivo! E governa toda a terra do Egito!

O coração de Jacó quase parou, porque ele não acreditava neles. Mas os filhos lhe contaram tudo o que José tinha dito, e, quando Jacó viu as carroças que José tinha mandado para buscá-lo, o velho pai voltou a ter ânimo.

— Basta! — disse Jacó. — Meu filho José ainda está vivo. Vou até lá vê-lo antes de morrer.

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## About this tale

José do Egito é uma história bíblica, não um conto de fadas. Ela fecha o Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, e ocupa os capítulos 37 a 50. Para o nosso reconto, usamos os capítulos 37 e 39 a 45 da Bíblia traduzida para o português por João Ferreira d’Almeida.

O texto de base é a edição revista e corrigida da Bíblia de Almeida, impressa em Lisboa em 1911. Esta página traz duas versões, e as duas são recontos nossos: a “Mais suave” é curta, e a “Original” tem mais que o dobro do tamanho e traz detalhes que a outra deixa de fora. Nenhuma das duas reproduz o texto bíblico.

> Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?
>
> Gênesis 45:3, Almeida, 1911: Eu sou José: vive ainda meu pae?

### O texto de Almeida e a nossa versão “Mais suave”

|  | Almeida (1911) | Nosso reconto, “Mais suave” |
| --- | --- | --- |
| A túnica | “uma tunica de varias côres” | colorida, longa e de mangas compridas |
| Quem compra José | mercadores midianitas e ishmaelitas | uma caravana de ismaelitas |
| Potifar | “eunucho de Pharaó, capitão da guarda” | “oficial do faraó e capitão da guarda” |
| O novo nome de José | “Zaphnath-paneah” | não aparece |
| Capítulo 38 | Judá e Tamar | fica de fora |
| O fim | a morte de José aos 110 anos (cap. 50) | as palavras de Jacó em 45:28 |

### O que o nosso texto conta

O nosso reconto começa com Jacó em Canaã e com a túnica colorida que ele manda fazer para José, o filho da sua velhice. Depois vêm os dois sonhos, o poço, a venda por vinte moedas de prata, a casa de Potifar, a prisão, os sonhos do copeiro, do padeiro e do faraó, e os sete anos de fartura seguidos de sete anos de fome. Quando os irmãos descem ao Egito para comprar trigo, José os põe à prova: retém Simeão e, na segunda viagem, manda esconder a própria taça de prata no saco de Benjamim. Por fim, Judá se oferece como escravo no lugar de Benjamim, e José revela quem é. As duas versões terminam com Jacó decidindo ir ver o filho antes de morrer.

Mesmo curta, a “Mais suave” conserva as cenas difíceis: os irmãos planejam matar José, mandam ao pai a túnica manchada com o sangue de um cabrito, a mulher de Potifar acusa José falsamente e o padeiro é enforcado. Tudo isso aparece em poucas frases e sem detalhes; mesmo assim, vale a pena conhecer essas cenas antes de ler o texto em voz alta para uma criança.

### O resto do Gênesis e os dois nomes dos compradores

O Gênesis segue além do ponto em que o nosso texto para: Jacó vai morar no Egito e morre lá, e o Gênesis se encerra com a morte de José, aos 110 anos. Esses capítulos, do 46 ao 50, ficam entre o fim desta página e a nossa página “Moisés”, que já começa dizendo que José e os irmãos tinham morrido.

Quem ler os capítulos 37 e 39 em Almeida encontra dois nomes para os compradores: passam “mercadores midianitas”, José é vendido “aos ishmaelitas”, e mais adiante Potifar o compra “da mão dos ishmaelitas”. A versão “Mais suave” fala só de uma caravana de ismaelitas; a “Original” menciona também os comerciantes midianitas.

Sources (claims checked against them on 2026-10-31):
- 1911: A Biblia Sagrada: O primeiro livro de Moysés chamado Genesis, trad. João Ferreira d’Almeida, ed. revista e corrigida, Lisboa 1911, Gn 37 e 39–45, a partir da p. 1 [our source] (https://www.gutenberg.org/ebooks/62383)
- Wikidata Q145746 (https://www.wikidata.org/wiki/Q145746)

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- Read online: https://talerie.com/pt/contos/jose-do-egito-original
- Characters: Benjamim, Jacó
- Version: longer, more faithful retelling; the gentler retelling: https://talerie.com/pt/contos/jose-do-egito.md
- Also in: [English](https://talerie.com/en/tales/joseph-and-the-coat-of-many-colors-original.md), [German](https://talerie.com/de/maerchen/josef-und-seine-brueder-original.md), [French](https://talerie.com/fr/contes/joseph-et-ses-freres-original.md), [Spanish](https://talerie.com/es/cuentos/jose-el-sonador-original.md), [Czech](https://talerie.com/cs/pohadky/josef-a-jeho-bratri-original.md), [Polish](https://talerie.com/pl/bajki/jozef-egipski-original.md)
- Subject (Wikidata): https://www.wikidata.org/wiki/Q145746
- Source: A Biblia Sagrada, traduzida por João Ferreira d’Almeida, edição revista e corrigida (Lisboa 1911), Project Gutenberg #62383: Genesis 37, 39–45 (https://www.gutenberg.org/ebooks/62383)
- Public-domain basis: Talerie contemporary retelling (CC0 2026), based on: A Biblia Sagrada, traduzida por João Ferreira d’Almeida, edição revista e corrigida (Lisboa 1911), Project Gutenberg #62383: Genesis 37, 39–45 — EU anonymous-work rule (+70 passed); translator João Ferreira de Almeida died 1691 (+70 passed); revision published anonymously ≤1911 (+70 passed)
- License: CC0-1.0 (https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/)
