# O Cão e a Sombra

_Esopo_ · 2 min read · ages 3-8

Um cão atravessa um riacho por uma ponte estreita com um bom pedaço de carne nos dentes e vê lá embaixo, na água, outro cão com um pedaço que parece duas vezes maior. Quando o cão abre a boca para pegar a carne grande, a sua cai no riacho e a correnteza a leva, e ele fica ali na ponte, de boca vazia.

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Era uma vez um cão que tinha arranjado um bom pedaço de carne. Ia com ele bem seguro entre os dentes, todo satisfeito, à procura de um cantinho sossegado para comer.

No caminho havia um riacho, e por cima da água passava uma ponte estreita, feita de uma tábua só. O cão começou a atravessar devagar, olhando para baixo.

Lá embaixo, na água, apareceu outro cão. Também levava um pedaço de carne na boca, e aquele pedaço parecia duas vezes maior que o do cão da ponte.

“Aquela carne é muito melhor que a minha”, pensou o cão.

Sem hesitar, abriu a boca e avançou sobre o outro cão para arrancar o pedaço maior. A sua própria carne escapou dos dentes e caiu no riacho, e a correnteza logo a levou embora.

Mas na água não havia cão nenhum. Era só o reflexo dele mesmo, e a carne grandona não passava de uma sombra, que se desmanchou em ondinhas assim que ele encostou o focinho.

De boca vazia, o cão ficou ali na ponte, olhando a água correr. Não tinha mais carne nenhuma: nem a grande, nem a sua.

**Moral:** Correr atrás do que só parece maior pode custar o pouco que a gente já tem.

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- Wikidata: https://www.wikidata.org/wiki/Q933784
- Source: Aesop's Fables: a new translation, tr. V. S. Vernon Jones (1912) (https://www.gutenberg.org/ebooks/11339)
- Public-domain basis: Talerie contemporary retelling (CC0 2026), based on: Aesop's Fables: a new translation, tr. V. S. Vernon Jones (1912) — translation: author died 564 BC (+70 passed); translator V. S. Vernon Jones died 1955 (+70 passed)
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