# O Dragão de Wawel

_Retold by Talerie (talerie.com) from Podania i legendy polskie, ruskie i litewskie, after Lucjan Siemieński_ · 3 min read · ages 5+

Um dragão faminto vive numa caverna do morro de Wawel, e o sapateiro Skuba sugere ao rei Krak que deixem diante dela uma pele de bezerro cheia de enxofre. O dragão engole a pele, bebe do Vístula até morrer, o rei dá presentes a Skuba, e a caverna aos pés do castelo ainda hoje se chama Caverna do Dragão.

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Era uma vez um dragão enorme que vivia numa caverna embaixo do morro de Wawel, na beira do rio Vístula. Naquele tempo ainda não havia castelo lá em cima. O castelo de Cracóvia só foi construído muito depois, no alto daquele mesmo morro.

O dragão tinha uma fome sem fim. Engolia três animais de uma vez só, e às vezes saía da caverna, pegava gente e comia também.

Para que ele deixasse a cidade em paz, o povo de Cracóvia tinha de pagar um tributo: toda manhã, três bezerros ou três carneiros eram deixados diante da caverna. E toda manhã o dragão saía, comia os três e voltava para dentro do morro. Assim passavam os dias, um depois do outro.

Quem governava a cidade ao pé do morro era o rei Krak. Em Cracóvia morava também um sapateiro chamado Skuba, um homem simples, que um dia foi falar com o rei.

— Vossa Majestade, eu tive uma ideia — disse Skuba.

— Fale — respondeu o rei.

O sapateiro explicou o plano. Era preciso pegar a pele de um bezerro, enchê-la de enxofre e costurá-la bem, para que parecesse um bezerro dormindo. De manhã, no lugar do tributo do dia, deixariam a pele recheada diante da caverna.

O rei Krak gostou da ideia e mandou fazer tudo como o sapateiro tinha dito. Encheram a pele de enxofre até não caber mais nada, e ela ficou parecendo um bezerro de verdade, deitado e quieto.

Bem cedo, levaram o bezerro até a entrada da caverna e o deixaram ali, no lugar onde todos os dias ficavam os três animais. Depois o povo de Cracóvia foi esperar do outro lado do rio.

O dragão saiu da caverna, farejou o ar e viu o bezerro. Achou que era o tributo de sempre e o engoliu inteiro, numa bocada só.

Logo o enxofre começou a arder dentro da barriga dele. Não foi coisa de um instante: queimava devagar, por muito tempo, e o dragão sentia um calor cada vez maior por dentro. Então ele se arrastou até o Vístula e começou a beber água. Bebeu, e bebeu, e bebeu, mas a quentura lá dentro não passava. Bebeu tanto que morreu ali mesmo, na beira do rio.

Assim Cracóvia ficou livre do dragão. O rei Krak não se esqueceu de quem tinha tido a ideia: deu a Skuba bons presentes e cuidou para que nunca mais lhe faltasse nada.

Hoje, no alto do morro de Wawel, fica o castelo de Cracóvia. E lá embaixo, aos pés do castelo, ainda se pode ver a caverna onde o dragão morava, que até hoje se chama Caverna do Dragão.

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- Source: Podania i legendy polskie, ruskie i litewskie, zebrał Lucjan Siemieński (Poznań, 1845), «Smok» (https://pl.wikisource.org/wiki/Podania_i_legendy_polskie,_ruskie_i_litewskie/Smok)
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