# O Ganso de Ouro

_Irmãos Grimm_ · 8 min read · ages 5-10

Simplório reparte seu bolo de cinza com um velhinho da floresta e ganha um ganso de penas de ouro que não solta mais quem o toca, até sete pessoas correrem presas umas às outras. Vendo o cortejo, a filha do rei ri pela primeira vez, e Simplório, depois de cumprir as três provas do rei, casa-se com ela e herda o reino.

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Era uma vez um homem que tinha três filhos. O mais novo deles se chamava Simplório, e por isso vivia desprezado e ridicularizado, sempre deixado de lado.

Um dia o filho mais velho quis ir à floresta cortar lenha. Antes de partir, a mãe lhe deu um belo bolo e uma garrafa de vinho, para que não sentisse fome nem sede pelo caminho. Na floresta ele encontrou um velhinho grisalho, que lhe deu bom dia.

— Dê-me um pedaço do seu bolo e deixe-me beber um gole do seu vinho. Estou com tanta fome e tanta sede — disse o velhinho.

— Se eu lhe der o meu bolo e o meu vinho, fico sem nada para mim. Vá cuidar da sua vida — respondeu o filho mais velho, e seguiu andando, deixando o velhinho parado ali.

Mal começou a golpear uma árvore, o machado escorregou e feriu-lhe o braço, de modo que teve de voltar para casa para ser curado. E foi o velhinho grisalho quem trouxe essa desgraça sobre ele.

Depois foi o segundo filho à floresta, e a mãe lhe deu, como ao primeiro, um bolo e uma garrafa de vinho. Ele também encontrou o velhinho grisalho, que lhe pediu um pedaço de bolo e um gole de vinho, mas o segundo filho respondeu como o irmão: o que desse ao velho faria falta a ele mesmo. E seguiu seu caminho sem lhe dar nada. O castigo não tardou: mal deu alguns golpes na árvore, feriu a própria perna, e teve de ser carregado para casa.

Então Simplório disse ao pai:

— Deixe-me ir também cortar lenha.

— Seus irmãos se feriram fazendo isso. Fique longe da floresta, você não entende nada disso — respondeu o pai.

Mas Simplório insistiu tanto que o pai por fim cedeu.

— Vá então, que dos próprios erros se aprende — disse ele.

A mãe só tinha para lhe dar um bolo bem simples, feito só com água e assado nas cinzas do fogo, e uma garrafa de cerveja azeda. Quando Simplório chegou à floresta, o velhinho grisalho também veio ao seu encontro e o saudou.

— Dê-me um pedaço do seu bolo e um gole da sua garrafa. Estou com tanta fome e tanta sede — disse ele.

— Eu só tenho um bolo de cinza e cerveja azeda, mas se isso lhe servir, vamos nos sentar e comer juntos — respondeu Simplório.

Sentaram-se os dois, e quando Simplório desembrulhou o seu bolo, viu que era, na verdade, um bolo fino e gostoso, e a cerveja azeda se tornara um bom vinho. Comeram e beberam à vontade, e depois o velhinho falou.

— Porque você tem bom coração e reparte de bom grado o que é seu, eu vou lhe dar sorte. Ali está uma árvore velha: corte-a, e nas raízes você encontrará alguma coisa — disse ele, e em seguida se despediu.

Simplório foi até a árvore e a derrubou, e quando ela caiu, viu, entre as raízes, um ganso de penas de ouro puro. Ele o pegou nos braços e seguiu até uma hospedaria, onde pensava passar a noite.

O hospedeiro tinha três filhas, que ao verem aquela ave tão estranha ficaram curiosas e desejaram, cada uma, arrancar para si uma das penas de ouro. A mais velha pensou que havia de encontrar uma oportunidade, e quando Simplório saiu por um instante, agarrou o ganso pela asa. Mas os dedos e a mão ficaram colados ali, sem que ela conseguisse se soltar.

Pouco depois chegou a segunda irmã, pensando apenas em tirar para si uma pena de ouro, mas, mal tocou na irmã, ficou colada a ela também. Por fim veio a terceira, com a mesma intenção. As outras duas gritaram:

— Fique longe, por amor de Deus, fique longe!

Mas ela não entendeu por que deveria ficar longe, e pensou que, se as outras estavam lá, ela também podia estar. Correu até elas, e assim que tocou na irmã, ficou colada como as duas primeiras. E assim as três tiveram de passar a noite ao lado do ganso.

Na manhã seguinte, Simplório tomou o ganso nos braços e seguiu seu caminho, sem se importar com as três moças grudadas na ave. Elas tinham de correr atrás dele, ora para a esquerda, ora para a direita, para onde as pernas dele o levassem. No meio de um campo encontraram o padre, que ao ver aquele estranho cortejo exclamou:

— Tenham vergonha, moças descaradas! Por que correm atrás desse jovem pelo campo? Isso não se faz!

Com isso, agarrou a mais jovem pela mão para arrastá-la de volta, mas assim que a tocou, ficou também preso e teve de correr atrás delas. Pouco depois chegou o sacristão, e ao ver o padre seguindo três moças, admirou-se e gritou:

— Ora, senhor padre, para onde vai com tanta pressa? Não se esqueça de que hoje ainda temos um batismo!

Correu até ele e agarrou-o pela manga, mas ficou preso do mesmo jeito. Enquanto os cinco corriam assim, um atrás do outro, dois camponeses voltavam do campo com suas enxadas. O padre gritou por ajuda e pediu que os libertassem, a ele e ao sacristão. Mas assim que tocaram no sacristão, ficaram presos também, e agora eram sete a correr atrás de Simplório e do ganso.

Ele chegou então a uma cidade governada por um rei, que tinha uma filha tão séria que ninguém jamais conseguira fazê-la rir. Por isso o rei decretara que quem conseguisse fazê-la rir haveria de se casar com ela. Quando Simplório ouviu isso, foi com seu ganso e seu séquito até diante da princesa, e ao vê-los, aqueles sete correndo um atrás do outro daquele jeito, ela começou a rir tão alto que não conseguia mais parar.

Simplório então a pediu em casamento, mas o rei não gostou do pretendente. Pôs uma condição: primeiro Simplório teria de lhe trazer um homem capaz de beber sozinho todo o vinho de uma adega. Simplório pensou logo no velhinho grisalho, que certamente saberia ajudá-lo, e voltou à floresta. No mesmo lugar onde havia derrubado a árvore, encontrou um homem sentado, com o rosto muito abatido. Simplório perguntou o que o afligia tanto.

— Tenho uma sede tão grande que não consigo saciá-la. Água fria não me faz bem nenhum. Já esvaziei um barril de vinho, mas o que é isso senão uma gota no oceano perto da sede que eu tenho? — respondeu o homem.

— Nesse caso posso ajudá-lo. Venha comigo, que você vai beber até se satisfazer — disse Simplório.

Levou-o então à adega do rei, e o homem se lançou sobre os grandes tonéis, bebendo e bebendo, até que, antes que o dia acabasse, já havia esvaziado a adega inteira.

Simplório voltou a pedir sua noiva, mas o rei, contrariado por ver sua filha destinada a um rapaz a quem todos chamavam de tolo, impôs uma nova condição: que lhe trouxesse um homem capaz de comer sozinho uma montanha de pão. Simplório não pensou duas vezes e foi direto à floresta, onde encontrou, no mesmo lugar, um homem apertando o corpo com um cinto, o rosto amargurado.

— Já comi uma fornada inteira de pães, mas de que serve isso a quem tem uma fome como a minha? Meu estômago continua vazio, e só me resta apertar bem o cinto para não morrer de fome — disse o homem.

— Venha comigo, então, que hoje você vai comer até se satisfazer — respondeu Simplório, contente.

Levou-o à corte, onde o rei mandara reunir toda a farinha do reino e assar uma montanha enorme de pão. O homem da floresta se pôs diante dela e começou a comer, e em um só dia a montanha inteira desapareceu.

Simplório pediu sua noiva pela terceira vez, mas o rei ainda buscava um jeito de escapar, e exigiu por fim um navio que pudesse velejar tanto por terra como por mar.

— No instante em que você chegar navegando nesse navio, você terá minha filha por esposa — disse o rei.

Simplório foi direto à floresta, e ali estava outra vez o velhinho grisalho, a quem ele havia dado o seu bolo.

— Eu já bebi e comi por você. Agora também lhe darei o navio. Faço tudo isso porque você foi bondoso comigo — disse o velhinho.

E deu-lhe o navio, que velejava tanto por terra como por mar. Quando o rei o viu chegar, não pôde mais recusar sua filha a Simplório. Celebraram o casamento, e depois da morte do rei, Simplório herdou o reino e viveu muitos anos feliz ao lado de sua esposa.

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- Source: Kinder- und Hausmärchen, 7. Auflage (1857) (https://de.wikisource.org/wiki/Die_goldene_Gans_(1857))
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