# O Patinho Feio

_Hans Christian Andersen_ · 20 min read · ages 6-10

Um patinho cinzento sai do último ovo e, no terreiro, apanha dos patos, das galinhas e do peru, até fugir sozinho para o brejo e o inverno. Na primavera ele nada até três cisnes num jardim, baixa a cabeça para a água e vê a própria imagem: as crianças na margem gritam que o novo é o mais bonito de todos.

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Era lindo o campo naquele verão. O trigo estava amarelo, a aveia ainda verde, o feno tinha sido juntado em montes nos prados, e a cegonha passeava com suas pernas compridas e vermelhas, tagarelando em egípcio, que era a língua que tinha aprendido com a mãe. Em volta das lavouras e dos prados havia matas grandes, e no meio das matas, lagos fundos. Era mesmo lindo o campo naquele verão! Bem no meio do sol ficava uma casa velha de fazenda, cercada de valas fundas, e do muro até a água cresciam folhas de bardana tão altas que uma criança pequena podia ficar de pé debaixo das maiores. Aquilo era tão selvagem quanto o fundo de uma mata. Ali, no ninho, estava uma pata chocando os ovos. A espera já andava comprida e ela quase não recebia visita, porque os outros patos preferiam nadar nas valas a subir até lá para sentar debaixo de uma folha de bardana e conversar com ela.

Enfim, um ovo depois do outro começou a rachar.

— Piu! Piu! — diziam os filhotes.

Todas as gemas tinham virado bicho e punham a cabeça para fora.

— Quá! Quá! — disse a pata.

E todos se sacudiram como puderam e ficaram olhando para todos os lados debaixo das folhas verdes. A mãe deixou que olhassem à vontade, porque o verde faz bem aos olhos.

— Como o mundo é grande! — disseram os filhotes, que agora tinham muito mais espaço do que dentro do ovo.

— Vocês acham que o mundo é só isto? — disse a mãe. — Ele vai muito além do outro lado da horta, entra até pelo campo do padre adentro. Mas lá eu nunca fui. Estão todos aqui? — continuou ela, levantando-se. — Não, não estão todos. O maior dos ovos ainda está aí. Quanto tempo mais isso vai demorar? Já estou ficando cansada.

E tornou a se sentar.

— E então, como vão as coisas? — perguntou uma pata velha que tinha vindo lhe fazer uma visita.

— Esse ovo está demorando demais — disse a pata do ninho. — Não quer rachar de jeito nenhum. Mas olhe só os outros: já viu patinhos mais bonitinhos? São todos a cara do pai. O malandro nem aparece para me visitar.

— Deixe eu ver esse ovo que não quer rachar — disse a velha. — Pode acreditar: é ovo de peru. Uma vez me enganaram assim, e foi um sofrimento com os filhotes, porque peru morre de medo de água. Eu não conseguia botar aqueles bichos na água de jeito nenhum: chamava, bicava, e nada adiantava. Deixe eu ver o ovo. É isso mesmo, ovo de peru! Deixe ele aí e vá ensinar os outros a nadar.

— Ainda vou chocar mais um pouco — disse a pata. — Já fiquei tanto tempo sentada que posso ficar mais uns dias.

— Como quiser — disse a pata velha, e foi embora.

Enfim o ovo grande rachou.

— Piu! Piu! — disse o filhote, saindo lá de dentro.

Era muito grande e muito feio. A pata ficou olhando para ele.

— Que patinho enorme — disse ela. — Nenhum dos outros é assim. Será que é um peruzinho? Bom, logo a gente descobre: ele vai entrar na água, nem que eu tenha que empurrar.

No dia seguinte o tempo estava lindo, e o sol batia em todas as folhas verdes de bardana. A mãe desceu com a família inteira até a vala. Tchibum! Ela pulou na água.

— Quá! Quá! — chamou.

E os patinhos foram caindo um atrás do outro. A água se fechou sobre a cabeça deles, mas logo voltaram à tona e nadaram muito bem, com as pernas trabalhando sozinhas. Estavam todos na água, até o feioso cinzento.

— Não, peru ele não é — disse a mãe. — Vejam como sabe usar as pernas, como se aprumou bem. É filho meu, sim senhor! No fundo até que é bonito, quando a gente olha direito. Quá! Quá! Venham comigo, que eu vou levar vocês ao mundo lá fora e apresentar vocês no terreiro dos patos. Mas fiquem sempre pertinho de mim, para ninguém pisar em vocês, e tomem cuidado com os gatos.

E foi assim que entraram no terreiro. Lá dentro havia uma barulheira medonha, porque duas famílias brigavam por uma cabeça de enguia, e no fim quem ficou com ela foi o gato.

— Estão vendo? O mundo é assim mesmo — disse a mãe, afiando o bico, porque ela também queria a cabeça de enguia. — Agora usem as pernas. Mostrem que sabem se mexer e abaixem o pescoço diante daquela pata velha ali, que é a mais importante daqui. Ela é de sangue espanhol, por isso é tão gorda, e vejam só: tem uma fita vermelha na perna. Isso é uma coisa extraordinária, a maior honra que uma pata pode receber. Quer dizer que ninguém quer perder ela, e que bicho e gente têm que reconhecer ela. Andem, mexam-se! Não virem os pés para dentro: patinho bem-educado abre bem os pés para fora, igualzinho ao pai e à mãe. Assim, olhem! Agora abaixem o pescoço e digam: quá!

E foi o que fizeram. Mas os outros patos ficaram olhando e disseram bem alto:

— Essa agora! Ainda vamos ter que aguentar essa turma toda, como se a gente já não fosse gente demais por aqui. E, credo, que jeito é aquele do patinho? Esse a gente não aceita.

Na mesma hora um pato voou em cima dele e mordeu o pescoço dele.

— Deixe ele em paz — disse a mãe. — Ele não está fazendo mal a ninguém.

— Está sim: é grande demais e esquisito demais — disse o pato que tinha mordido. — Por isso precisa apanhar.

— São bonitos os filhos que a senhora tem — disse a pata velha da fita na perna. — Todos bonitos, menos aquele. Aquele não deu certo. Eu queria que a senhora pudesse fazer ele de novo.

— Isso não tem jeito, Vossa Senhoria — disse a mãe. — Bonito ele não é, mas tem um bom coração e nada tão bem quanto qualquer outro, e olhe que até um pouquinho melhor. Eu acho que ele vai crescer bonito e com o tempo até diminuir um pouco. Ficou tempo demais dentro do ovo, e por isso não pegou a forma certa.

E, dizendo isso, alisou as penas do pescoço dele.

— Além do mais, é macho — acrescentou. — Aí não faz tanta diferença. Vai ficar forte, tenho certeza. Ele se vira.

— Os outros patinhos são uma graça — disse a velha. — Fiquem à vontade, como se estivessem em casa. E, se acharem uma cabeça de enguia, podem trazer para mim.

E assim ficaram em casa.

Mas o coitado do patinho, o que tinha saído do ovo por último e era tão feio, apanhava, era empurrado e virava motivo de piada tanto dos patos quanto das galinhas.

— É grande demais! — diziam todos.

E o peru, que tinha nascido com esporas e por isso se achava imperador, inchava-se todo como um navio de velas abertas e avançava em cima dele, grugulejando, com a cabeça toda vermelha. O coitado do patinho não sabia onde ficar nem para onde ir. Vivia triste, porque era feio e o terreiro inteiro caçoava dele.

Assim foi o primeiro dia, e depois foi ficando cada vez pior. Todos perseguiam o pobre patinho. Até as irmãs eram ruins com ele e viviam dizendo:

— Tomara que o gato pegue você, bicho feio!

E a mãe dizia:

— Ah, se você estivesse bem longe daqui!

Os patos o bicavam, as galinhas o beliscavam, e a menina que dava comida aos bichos o empurrava com o pé.

Então ele saiu correndo e voou por cima da cerca. Os passarinhos dos arbustos levantaram voo, assustados. “É porque eu sou feio”, pensou o patinho, e fechou os olhos, mas continuou correndo assim mesmo. Foi desse jeito que chegou ao grande brejo onde moravam os patos selvagens. Ali ficou a noite inteira, cansado e cheio de tristeza.

De manhã os patos selvagens levantaram voo e ficaram olhando para o companheiro novo.

— Que bicho é você? — perguntaram.

O patinho se virava para todos os lados e cumprimentava como podia.

— Você é feio de doer — disseram os patos selvagens. — Mas para nós tanto faz, contanto que não se case com ninguém da nossa família.

Coitado! Casamento era a última coisa em que ele pensava. Queria só que deixassem ele ficar deitado no meio dos juncos e beber um pouco da água do brejo.

Ficou ali dois dias inteiros. Então apareceram dois gansos selvagens que tinham saído do ovo havia pouco tempo e por isso eram tão atrevidos.

— Escute aqui, camarada — disseram eles. — Você é tão feio que a gente até gosta de você. Quer vir com a gente e virar ave de arribação? Aqui pertinho, num outro brejo, tem umas gansas selvagens muito simpáticas, todas solteiras, e todas sabem dizer quá. Você pode tentar a sorte lá, feio do jeito que é!

Bum! Bum! foi o que se ouviu naquele instante, e os dois gansos caíram mortos no meio dos juncos, e a água ficou vermelha de sangue. Bum! Bum! ouviu-se de novo, e bandos inteiros de gansos selvagens levantaram voo do juncal. Então os tiros estouraram outra vez. Era uma caçada grande. Os caçadores estavam espalhados em volta do brejo, e alguns até sentados em cima dos galhos, que se esticavam bem por cima das canas. A fumaça azul entrava como nuvem no meio das árvores escuras e ia longe por cima da água. Os cães de caça chegaram ao brejo: chape, chape. Os juncos e as canas se dobravam para todos os lados. Que susto para o pobre patinho! Ele virou a cabeça para escondê-la debaixo da asa, mas nesse mesmo instante um cachorro enorme e medonho parou bem ao lado dele, com a língua pendurada para fora do focinho e os olhos brilhando de um jeito horrível. Esticou o focinho na direção do patinho, mostrou os dentes afiados e... chape, chape, foi embora sem pegá-lo.

— Ai, graças a Deus! — suspirou o patinho. — Sou tão feio que nem o cachorro quer me morder!

E ficou bem quietinho, enquanto o chumbo assobiava por entre os juncos e um tiro estourava atrás do outro.

Só lá pelo fim do dia é que tudo se acalmou, mas o coitado ainda não teve coragem de se levantar. Esperou mais algumas horas antes de olhar em volta, e então saiu do brejo o mais depressa que pôde. Correu por campos e prados, com um vendaval tão forte que era difícil sair do lugar.

Ao anoitecer chegou a uma casinha pobre de camponeses, tão arruinada que ela mesma não sabia para que lado cair, e por isso continuava de pé. O vento assobiava em volta do patinho com tanta força que ele teve que se sentar para se firmar, e a coisa foi piorando. Então ele reparou que a porta tinha saído de uma das dobradiças e estava tão torta que dava para passar pela fresta e entrar na sala. E foi o que ele fez.

Ali moravam uma velha com o gato e a galinha dela. O gato, que ela chamava de Filhinho, sabia arquear as costas e ronronar, e até soltava faíscas, mas para isso era preciso alisar o pelo dele ao contrário. A galinha tinha as pernas bem curtinhas, e por isso a chamavam de Perninha-Curta. Ela botava ovos bons, e a velha gostava dela como se fosse filha.

De manhã perceberam logo o patinho estranho. O gato começou a ronronar e a galinha, a cacarejar.

— O que é isso? — disse a velha, olhando em volta.

Mas ela não enxergava bem e achou que o patinho fosse uma pata gorda que tinha se perdido do caminho.

— Que sorte a minha! — disse ela. — Agora vou ter ovo de pata. Tomara que não seja macho. A gente vai ter que ver.

E assim o patinho foi aceito por três semanas, à experiência. Mas ovo que é bom, nada. O gato era o dono da casa e a galinha era a dona, e ela vivia dizendo “nós e o mundo”, porque achava que os dois eram a metade do mundo, e de longe a melhor metade. O patinho achava que dava para pensar diferente, mas a galinha não admitia.

— Você sabe botar ovo? — perguntou ela.

— Não.

— Então faça o favor de ficar calado.

E o gato perguntou:

— Você sabe arquear as costas, ronronar e soltar faísca?

— Não.

— Então também não pode ter opinião quando gente de juízo está conversando.

O patinho ficou num canto, de mau humor. Aí entraram o ar fresco e o sol, e deu nele uma vontade tão esquisita de nadar que ele não se conteve e contou isso à galinha.

— Que ideia é essa? — perguntou ela. — Você não tem o que fazer, por isso fica com essas minhocas na cabeça. Bote um ovo ou ronrone, que isso passa.

— Mas é tão bom nadar! — disse o patinho. — Tão gostoso deixar a água se fechar em cima da cabeça e mergulhar até o fundo!

— Grande divertimento — disse a galinha. — Você ficou maluco. Pergunte ao gato, que é a criatura mais inteligente que eu conheço, se ele gosta de nadar ou de mergulhar. De mim eu nem falo. Pergunte à nossa dona, a velha, que não existe ninguém mais sábio no mundo. Você acha que ela tem vontade de nadar e de deixar a água fechar em cima da cabeça dela?

— Vocês não me entendem — disse o patinho.

— Não entendemos você? Então quem é que vai entender? Você não vai querer ser mais sábio do que o gato e do que a velha, imagino, e de mim eu nem falo. Não se ache, menino, e agradeça ao Criador por todo o bem que fizeram a você. Não foi parar numa sala quentinha, com uma companhia que pode lhe ensinar alguma coisa? Mas você é um tagarela, e não dá gosto conviver com você. Pode acreditar em mim: eu quero o seu bem. Eu falo umas verdades desagradáveis, e é assim que a gente reconhece os amigos de verdade. Trate de botar ovo ou de aprender a ronronar e a soltar faísca.

— Acho que vou embora, mundo afora — disse o patinho.

— Pois vá — disse a galinha.

E o patinho foi. Nadou na água, mergulhou até o fundo, mas todos os bichos fingiam que não o viam, por causa da feiura.

Chegou o outono. As folhas da mata ficaram amarelas e marrons, e o vento as pegava e fazia dançar. Lá em cima, no ar, fazia muito frio. As nuvens vinham pesadas de granizo e de neve, e em cima da cerca estava o corvo.

— Ai! Ai! — gritava ele, de frio.

Só de pensar já dava arrepio. O pobre patinho não estava nada bem, coitado. Uma tarde, quando o sol se punha lindo, saiu do mato um bando de aves grandes e magníficas. O patinho nunca tinha visto nada tão bonito: eram de um branco brilhante, com o pescoço comprido e macio. Eram cisnes. Soltaram um som muito particular, abriram as asas enormes e partiram daquela terra fria para países mais quentes, para lagos abertos. Subiram tão alto, tão alto, e o feioso do patinho sentiu uma coisa muito estranha. Rodou na água como uma roda, esticou o pescoço bem para o alto atrás deles e soltou um grito tão forte e tão esquisito que se assustou de si mesmo. Ah, ele não conseguia esquecer aquelas aves lindas e felizes! Assim que sumiram de vista, mergulhou até o fundo, e quando voltou à tona estava fora de si. Não sabia como aquelas aves se chamavam nem para onde iam, mas gostava delas como nunca tinha gostado de ninguém. Não sentia a menor inveja. Como é que ele podia sonhar em querer para si tanta beleza? Ficaria contente se ao menos os patos o aceitassem entre eles, o pobre bicho feio.

O inverno ficou frio, muito frio. O patinho precisava nadar sem parar para a água não congelar de todo, mas cada noite o buraco em que ele nadava ficava menor e menor. Gelava tanto que a casca de gelo estalava, e ele tinha que mexer as pernas o tempo todo para o buraco não se fechar. No fim foi ficando fraco, ficou bem quietinho e acabou preso no gelo.

De manhã cedo apareceu um camponês. Quando viu aquilo, chegou perto, quebrou o gelo em pedaços com o tamanco e levou o patinho para casa, para a mulher dele. Lá o patinho voltou a si.

As crianças quiseram brincar com ele, mas o patinho achou que queriam lhe fazer mal e, de tanto medo, foi parar dentro da vasilha de leite, e o leite espirrou pela sala toda. A mulher bateu as mãos, e ele voou para dentro da manteigueira, caiu no barril de farinha e saiu de lá de novo. Que figura! A mulher gritava e batia nele com a tenaz do fogo; as crianças se atropelavam para pegar o patinho, rindo e gritando. Ainda bem que a porta estava aberta e ele conseguiu escapulir por entre os arbustos, para a neve recém-caída. E lá ficou, sem forças.

Mas contar toda a aflição e toda a miséria que o patinho teve que aguentar naquele inverno duro seria triste demais. Ele estava no brejo, no meio dos juncos, quando o sol voltou a esquentar. As cotovias cantavam. Era uma primavera linda.

De repente o patinho viu que podia bater as asas. Elas zuniam com mais força do que antes e o levaram longe. Antes que ele se desse conta direito, estava num jardim grande, onde os lilases perfumavam o ar e inclinavam os ramos verdes e compridos até as valas de água. Ah, como era bonito ali, como tudo cheirava a primavera! E do meio das moitas vieram três cisnes magníficos, sacudindo as penas, deslizando leves na água. O patinho reconheceu aquelas aves esplêndidas, e uma tristeza estranha tomou conta dele.

— Vou voar até eles, até essas aves reais — disse. — E eles vão acabar comigo, porque eu, feio deste jeito, me atrevi a chegar perto. Mas tanto faz. Antes ser morto por eles do que ser bicado pelos patos, beliscado pelas galinhas, empurrado com o pé pela menina que cuida do galinheiro e passar necessidade no inverno.

E voou para a água, e nadou ao encontro dos cisnes magníficos. Eles o viram e vieram na sua direção com as penas farfalhando.

— Podem me matar — disse o pobre bicho.

Baixou a cabeça para a superfície da água e ficou esperando a morte. Mas o que foi que ele viu na água clara? Viu a própria imagem ali embaixo, e não era mais um pássaro desajeitado, cinza-escuro, feio e sem graça. Era um cisne.

Não faz mal nenhum nascer num terreiro de patos, quando se veio de um ovo de cisne.

Ele até se alegrava com toda a aflição e todo o sofrimento que tinha passado, porque só assim soube dar valor à felicidade que agora o recebia. E os cisnes grandes nadavam em volta dele e faziam carinho nele com o bico.

Chegaram ao jardim algumas crianças, que jogaram pão e grãos na água. E a menorzinha gritou:

— Tem um novo ali!

E as outras crianças festejaram junto:

— É verdade, chegou um novo!

Bateram palmas, dançaram em volta, correram para chamar o pai e a mãe, e jogaram pão e bolo na água, e todos diziam:

— O novo é o mais bonito de todos! Tão jovem, tão magnífico!

E os cisnes velhos se curvaram diante dele.

Ele ficou até com vergonha e escondeu a cabeça debaixo das asas, sem saber o que fazer. Estava feliz demais, mas não tinha nem um pingo de orgulho. Lembrou de como tinha sido perseguido e humilhado, e agora ouvia todo mundo dizer que ele era a mais bonita de todas as aves bonitas. Até os lilases inclinavam os ramos até ele, na água, e o sol brilhava quente e macio. Então as penas dele farfalharam, o pescoço fino se ergueu, e do fundo do coração ele exclamou:

— Nunca sonhei com tanta felicidade, quando eu ainda era o patinho feio!

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- Source: Sämmtliche Märchen — einzige vollständige vom Verfasser besorgte Ausgabe (Hartknoch, Leipzig) (https://www.projekt-gutenberg.org/andersen/saemmaer/saemmaer.html)
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