# O Príncipe Sapo

_Irmãos Grimm_ · 5 min read · ages 4-9

Uma princesa promete deixar um sapo ser seu companheiro depois que ele resgata a bola dela na fonte, mas ela foge assim que ele cumpre o trato. Furiosa, ela o arremessa contra a parede e ele vira um príncipe; a caminho do reino dele, as cintas de ferro no coração aflito do fiel Henrique vão se rompendo de alegria.

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Nos tempos antigos, quando desejar ainda adiantava alguma coisa, vivia um rei cuja filha mais nova era tão bonita que até o sol se admirava ao lhe brilhar no rosto. Na floresta perto do castelo havia uma fonte, e nos dias de calor a menina ia brincar lá com a sua bola de ouro.

Um dia a bola não caiu na mãozinha estendida: rolou pelo chão e sumiu na água, tão funda que não se via o fundo. A menina chorou sem parar.

— O que foi, filha do rei? Você chora tanto que até uma pedra teria pena.

Ela olhou em volta e viu um sapo com a cabeça gorda e feia fora da água.

— Ah, é você, velho chapinhador. Choro pela minha bola de ouro, que caiu na fonte.

— Não chore — respondeu o sapo. — Eu trago a bola. O que você me dá em troca?

— O que você quiser: vestidos, pérolas, até a minha coroa de ouro.

— Nada disso. Quero ser o seu companheiro: comer do seu pratinho de ouro, beber do seu copinho e dormir na sua caminha. Prometa, e eu desço.

— Prometo, contanto que traga a minha bola.

Mas pensou consigo: “Um sapo mora na água e coaxa; não pode ser companheiro de gente.”

O sapo mergulhou e voltou com a bola na boca, jogando-a na grama. A menina a pegou e saiu correndo.

— Espere! — gritou o sapo. — Me leve junto, eu não corro como você.

De nada adiantou coaxar atrás dela: ela correu para casa e esqueceu o pobre sapo.

No dia seguinte, quando ela estava à mesa com o rei e toda a corte, alguma coisa subiu a escada de mármore, plic ploc, plic ploc, e bateu na porta:

— Filha caçula do rei, abra a porta para mim.

Ela foi ver quem era, deu com o sapo e fechou a porta depressa.

— Do que você tem medo? — perguntou o rei. — Tem algum gigante na porta?

— Não é gigante nenhum, é um sapo. Ontem a minha bola caiu na fonte, ele foi buscá-la e eu prometi que ele seria meu companheiro. Nunca pensei que ele saísse da água.

Nisso bateram pela segunda vez, e a voz chamou:

Filha caçula do rei,  
abra a porta para mim.  
Você não lembra o que ontem  
me prometeu  
junto à água fria da fonte?  
Filha caçula do rei,  
abra a porta para mim.

— O que se promete, se cumpre — disse o rei. — Vá abrir para ele.

Ela abriu, e o sapo pulou para dentro, seguindo-a até a cadeira.

— Me levante até você.

Ela hesitou, até que o rei mandou. Da cadeira o sapo quis subir na mesa.

— Agora chegue o seu pratinho de ouro, para comermos juntos.

Ela chegou o prato, sem vontade. O sapo comeu com gosto; ela, porém, sentia cada bocado ficar entalado na garganta.

— Estou satisfeito e cansado — disse ele. — Me leve para o quarto e arrume a caminha de seda.

Ela chorou de medo do sapo frio, em que não se atrevia a tocar. Mas o rei ficou bravo.

— Quem ajudou você na hora da necessidade, você não despreza depois.

Então ela o pegou com dois dedos e o largou num canto. Mas ele veio se arrastando até a cama.

— Quero dormir tão bem quanto você. Me levante, ou eu conto ao seu pai.

Aí ela ficou furiosa e o atirou com toda a força contra a parede.

— Agora você vai ter sossego, sapo horroroso!

Mas, ao cair, ele não era mais um sapo: era um príncipe de olhos bonitos e amáveis. Contou que uma bruxa má o enfeitiçara e que só a menina poderia libertá-lo; pela vontade do rei, tornou-se companheiro e marido dela.

De manhã chegou uma carruagem de oito cavalos brancos, para levar o príncipe ao seu reino. Atrás vinha de pé o seu criado, o fiel Henrique. Quando o seu senhor virou sapo, Henrique mandou pôr três cintas de ferro em volta do próprio coração, para que não se partisse de tristeza. Ajudou os dois a subir, radiante.

Já tinham andado um bom pedaço quando o príncipe ouviu um estalo atrás de si.

— Henrique, a carruagem está quebrando.

Não, senhor, não é a carruagem.  
É uma cinta do meu coração,  
que ficou em grande aflição  
quando o senhor vivia na fonte,  
quando o senhor era um sapo.

Mais uma vez, e ainda outra, ouviu-se um estalo pelo caminho, e o príncipe achou que era a carruagem. Eram as cintas saltando do coração do fiel Henrique, agora que o seu senhor estava livre e feliz.

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- Source: Kinder- und Hausmärchen, 7. Auflage (1857) (https://de.wikisource.org/wiki/Der_Froschkönig_oder_der_eiserne_Heinrich_(1857))
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