
A lebre zomba do passo lento da tartaruga, que a desafia para uma corrida, e as duas chamam a raposa para marcar o percurso e julgar a chegada. Certa da vitória, a lebre tira um cochilo à beira do caminho e, quando acorda de susto e dispara pela estrada, chega tarde demais: a tartaruga já tinha vencido a corrida.
Numa tarde quente, a lebre encontrou a tartaruga atravessando o caminho e caiu na gargalhada ao ver o tamanho dos passos dela.
— Do jeito que você anda, o dia acaba antes de você chegar em qualquer lugar — disse a lebre.
A tartaruga esperou a risada passar.
— Espere um pouco — respondeu ela. — Aposto uma corrida com você. E aposto também que quem ganha sou eu.
A lebre achou aquilo a coisa mais engraçada que já tinha ouvido.
— Então vamos ver — disse ela.
Chamaram a raposa, que marcou o percurso e ficou de julgar a chegada.
Dado o sinal, as duas partiram juntas. Em pouco tempo a lebre já ia tão à frente que mal enxergava a tartaruga lá atrás. “Tenho tempo de sobra”, pensou. Deitou-se à sombra de uma árvore à beira do caminho e pegou no sono.
A tartaruga, enquanto isso, seguia. Um passo, depois outro, sem pressa e sem parar. Passou pela lebre adormecida sem fazer barulho e continuou pelo caminho afora, até que a linha de chegada apareceu adiante. A raposa viu a tartaruga cruzar a linha.

A lebre acordou num sobressalto. Disparou pela estrada como nunca tinha corrido na vida, esticada rente ao chão, as orelhas coladas na cabeça, mas chegou tarde demais. A tartaruga já tinha vencido a corrida.
Recontado pela Talerie, Fonte: Aesop's Fables: a new translation (abre em uma nova janela)
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