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Os Três Porquinhos

Os Três Porquinhos

Joseph Jacobs

5 min de leitura4–10 anos

Três porquinhos saem de casa para construir suas próprias moradias, e um lobo destrói as casas de palha e de gravetos dos dois primeiros, mas não consegue derrubar a casa de tijolos do terceiro. Depois de tentar enganá-lo várias vezes sem sucesso, o lobo tenta descer pela chaminé e acaba caindo numa panela de água fervente, deixando o terceiro porquinho seguro para sempre em sua casa forte.


Era uma vez, num tempo em que os bichos ainda falavam como gente, uma velha mamãe porca que vivia com seus três porquinhos. Ela não tinha comida suficiente para os três, então, quando cresceram, mandou que saíssem pelo mundo para construir suas próprias casas e seguir seu próprio caminho.

O primeiro porquinho não tinha andado muito quando encontrou um homem carregando um feixe de palha.

—Por favor, senhor, o senhor me dá essa palha para eu construir uma casa? — perguntou o porquinho.

O homem concordou, e o porquinho construiu para si uma casinha de palha bem aconchegante. Feliz com o resultado, instalou-se ali sem demora.

Não demorou muito, e um lobo veio rondando por ali. Ele bateu na porta e chamou:

—Porquinho, porquinho, deixe-me entrar!

—Não, não! Pelos pelinhos do meu queixinho, não vou abrir! — respondeu o porquinho.

—Então vou soprar, soprar, e sua casa vou derrubar!

E soprou com tanta força que as paredes de palha vieram abaixo. Foi triste, mas o lobo alcançou o porquinho ali mesmo, e aquele foi o fim dele.

O segundo porquinho também partiu mundo afora, e logo encontrou um homem carregando um feixe de gravetos.

—Por favor, senhor, o senhor me dá esses gravetos para eu construir uma casa? — perguntou o porquinho.

O homem concordou, e o porquinho construiu uma casa de gravetos, mais firme que a de palha, ou pelo menos era o que ele pensava.

Pouco depois, o lobo apareceu e bateu também naquela porta.

—Porquinho, porquinho, deixe-me entrar!

—Não, não! Pelos pelinhos do meu queixinho, não vou abrir!

—Então vou soprar, soprar, e sua casa vou derrubar!

Dessa vez o lobo soprou com ainda mais força, e no fim a casa de gravetos também veio abaixo. E assim como o irmão mais velho, o segundo porquinho encontrou seu fim naquele dia.

O terceiro porquinho, o mais sensato dos três, encontrou um homem carregando uma carga de tijolos.

—Por favor, senhor, o senhor me dá esses tijolos para eu construir uma casa? — perguntou o porquinho.

O homem concordou, e o porquinho construiu uma bela casa de tijolos, firme e forte, com uma porta bem resistente e uma chaminé de onde saía fumacinha.

Quando o lobo veio bater à porta, disse a mesma coisa de sempre:

—Porquinho, porquinho, deixe-me entrar!

—Não, não! Pelos pelinhos do meu queixinho, não vou abrir!

—Então vou soprar, soprar, e sua casa vou derrubar!

O lobo soprou, soprou e soprou de novo, até ficar sem fôlego. Mas por mais que soprasse, a casa de tijolos não se mexia, nem um tijolinho sequer.

Ora, o lobo era tão esperto quanto faminto, e quando viu que soprar não adiantava, pensou em outro plano.

—Porquinho — chamou ele, com voz doce —, eu conheço um belo campo de nabos lá na fazenda do Seu Antônio. Se você estiver pronto às seis da manhã amanhã, eu passo aqui e a gente vai colher alguns juntos.

—Muito bem — disse o porquinho —, vou estar pronto.

Mas ele não era tão bobo assim. Levantou-se às cinco, colheu uma bela panela de nabos e já estava de volta em casa bem antes de o lobo aparecer. Quando o lobo chegou e perguntou se ele estava pronto, o porquinho só riu e disse que já tinha ido e voltado.

O lobo, bastante contrariado, tentou de novo.

—Porquinho, eu conheço uma macieira linda lá no Jardim Feliz. Posso te chamar às cinco amanhã, e a gente colhe umas maçãs?

Mais uma vez o porquinho se levantou cedo, antes mesmo de o sol nascer direito, e já descia da árvore com uma cesta de maçãs quando avistou o lobo vindo pelo caminho. Rapidinho, jogou uma maçã bem longe, na grama, e enquanto o lobo corria atrás dela, o porquinho escapuliu para casa, são e salvo.

O lobo tentou mais uma vez.

—Tem uma feira na cidade essa tarde, porquinho. Você vem?

O porquinho foi cedo, como sempre, e na feira comprou para si uma grande barrica de madeira, dessas usadas para bater manteiga. No caminho de volta, avistou o lobo vindo pela estrada e, sem saber o que mais fazer, entrou dentro da barrica para se esconder. Só que a barrica começou a rolar, cada vez mais rápido, saltando e roncando morro abaixo, direto para cima do lobo, que levou um susto tão grande ao ver aquela coisa redonda e estranha vindo em sua direção que deu meia-volta e correu para casa sem nem chegar à feira.

Quando o lobo entendeu que tinha se assustado com nada mais que um porquinho dentro de uma barrica, ficou mais bravo do que nunca, e resolveu que entraria naquela casa de tijolos de um jeito ou de outro. Naquela noite, enquanto o porquinho estava sentado quentinho e seguro junto ao fogo, ouviu um arranhado e um ruído no telhado, e soube na hora que o lobo pretendia descer pela chaminé atrás dele.

Então o porquinho, esperto como era, pendurou uma grande panela de água sobre o fogo e deixou as chamas bem altas e quentes. Assim que o lobo escorregou chaminé abaixo, o porquinho levantou a tampa, e lá caiu o lobo, com um mergulho e um grito. O porquinho fechou a tampa rapidinho, e esse foi o fim do lobo, que nunca mais incomodou ninguém.

E assim o terceiro porquinho, seguro e protegido em sua forte casa de tijolos, viveu feliz para sempre.