
Branca de Neve
9 min de leitura6–12 anos
Uma menina belíssima foge da rainha madrasta invejosa e encontra refúgio na casinha dos sete anões, onde vive feliz cuidando do lar enquanto eles trabalham nas montanhas. A rainha malvada, descobrindo que Branca de Neve ainda vive, a envenena com uma maçã mágica, e ela só desperta quando um solavanco a caminho do castelo de um príncipe apaixonado faz o pedaço de maçã saltar de sua garganta.
Era uma vez, em pleno inverno, quando os flocos de neve caíam do céu como plumas. Uma rainha estava sentada junto a uma janela de moldura preta de ébano, costurando. Enquanto olhava a neve lá fora, espetou o dedo com a agulha, sem querer. Três gotinhas de sangue caíram e brilharam vermelhas sobre a neve branca. Aquilo era tão bonito que a rainha pensou: "Ah, se eu tivesse uma filha branca como a neve, vermelha como o sangue e de cabelos escuros como a madeira desta moldura..."
Pouco tempo depois nasceu sua filhinha, exatamente como ela havia desejado, e a rainha a chamou de Branca de Neve. Mas, ao dar à luz, a rainha morreu.
Um ano depois, o rei se casou com outra mulher. Ela era bela, mas orgulhosa, e não suportava a ideia de que alguém pudesse ser mais bonita do que ela. Possuía um espelho maravilhoso, e sempre que se colocava diante dele, perguntava:
— Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?
E o espelho respondia sempre:
— A senhora, minha rainha, é a mais bela que existe.
E ela ficava satisfeita, pois sabia que o espelho só dizia a verdade.
Branca de Neve, porém, foi crescendo e ficando mais linda a cada ano. Quando completou sete anos, já era mais bonita que o dia claro — mais bonita até que a rainha. Quando esta voltou a perguntar ao espelho, ele respondeu:
— A senhora é bela, minha rainha, isso é verdade, mas Branca de Neve é mil vezes mais bela.
A rainha se assustou e empalideceu de inveja. Dali em diante, não conseguia mais olhar para a enteada sem sentir o coração se apertar de amargura. A inveja foi crescendo dentro dela até que decidiu que a menina precisava desaparecer. Chamou um caçador e ordenou que levasse a criança para a floresta e a matasse lá.
O caçador levou Branca de Neve para o meio da mata, mas, ao vê-la chorar e implorar por sua vida, teve pena. — Corra, minha pobre criança — disse ele, deixando-a livre, ainda que com o coração pesado, pois não sabia se ela sobreviveria sozinha na floresta. À rainha, contou que a ordem havia sido cumprida, e ela acreditou.
Branca de Neve ficou então completamente sozinha na floresta grande e escura. Correu o dia inteiro, por entre pedras afiadas e espinhos, e os animais selvagens passavam correndo perto dela sem lhe fazer mal algum. Só ao entardecer encontrou uma casinha pequena e entrou para descansar. Lá dentro, tudo era minúsculo, mas arrumado e limpo: uma mesinha com sete pratinhos, sete colherinhas, facas e copos, e junto à parede, sete caminhas com lençóis branquinhos como a neve.
Como estava com muita fome, Branca de Neve comeu um pouquinho de cada prato e bebeu um golinho de cada copo, para não tirar tudo de ninguém. Depois experimentou as camas, até achar a sétima, que era do seu tamanho certinho. Ali adormeceu.
Quando a noite chegou, voltaram para casa os donos daquele lugar — sete anõezinhos que passavam o dia cavando ouro e minério nas montanhas. Perceberam logo que alguém estivera ali, e foram perguntando, um por um: "Quem comeu do meu pratinho?", "Quem bebeu do meu copinho?" — até que o sétimo olhou para sua cama e encontrou Branca de Neve, dormindo. Todos vieram correndo, maravilhados com a beleza da menina. Deixaram-na dormir, e o sétimo anão passou a noite indo de cama em cama entre os companheiros, uma hora com cada um.
Pela manhã, Branca de Neve se assustou ao ver os sete anõezinhos, mas eles foram gentis e perguntaram sua história. Quando souberam que a madrasta má havia tentado matá-la, disseram: — Fique conosco. Se cuidar da casa para nós, cozinhando e lavando, não lhe faltará nada. Branca de Neve ficou feliz e aceitou. Mas os anões a avisaram: — Cuidado com sua madrasta. Não deixe ninguém entrar enquanto estivermos fora.
A rainha, convencida de que Branca de Neve estava morta, voltou a perguntar ao espelho — e descobriu que a menina ainda vivia, longe, além das montanhas, na casa dos sete anões, mais bela do que nunca. Cheia de fúria, disfarçou-se de velha vendedora e foi até a casinha. Ofereceu a Branca de Neve fitas coloridas para amarrar o vestido, e a menina, sem desconfiar de nada, deixou a velha entrar. Mas, ao amarrar as fitas, a estranha apertou tanto que Branca de Neve ficou sem ar e caiu desmaiada no chão.
Quando os anões chegaram e a encontraram assim, cortaram depressa as fitas, e Branca de Neve voltou a respirar. — Isso foi obra da sua madrasta — disseram, preocupados. — Não abra a porta para mais ninguém.
Mas a rainha não desistiu. Perguntou de novo ao espelho, soube que Branca de Neve ainda vivia, e desta vez preparou um pente envenenado. Disfarçada outra vez, voltou à casinha. Dessa vez a menina não queria deixá-la entrar, mas a velha ergueu o pente tão bonito e tentador que ela acabou abrindo a porta. Mal a estranha encostou o pente em seus cabelos, Branca de Neve caiu ao chão como morta. Felizmente, à noite, os anões encontraram logo o pente envenenado e o retiraram, e Branca de Neve acordou de novo.
Pela terceira vez a rainha consultou o espelho, e pela terceira vez ouviu que Branca de Neve ainda vivia e era mais bela que ela. Tremendo de raiva, exclamou: — Branca de Neve vai morrer, custe o que custar! Em um quarto escondido, preparou uma maçã: por fora branca, com as faces vermelhas, tão bonita que fazia a boca de qualquer um se encher d'água — mas uma mordida bastava para matar.
Disfarçada de camponesa, voltou à casinha. Branca de Neve, já prevenida, a princípio não quis deixá-la entrar. Mas a velha cortou a maçã ao meio, comeu ela mesma a parte branca e ofereceu a vermelha à menina. Branca de Neve, tentada pela beleza da fruta e tranquilizada por ver a mulher comer também, não resistiu e mordeu. Mal engoliu, caiu morta no chão.
A rainha riu, cruel, e correu para casa. Ao perguntar ao espelho, ouviu finalmente de novo: — A senhora, minha rainha, é a mais bela que existe. Assim seu coração invejoso encontrou algum sossego — tanto quanto um coração desses é capaz de encontrar.
À noite, os anões encontraram Branca de Neve caída, sem vida. Tentaram de tudo para acordá-la, lavaram seu rosto, penteram seus cabelos, mas nada adiantou. Choraram junto a ela por três dias. Mas, como ela ainda parecia apenas dormir, com as faces vermelhas como em vida, não tiveram coragem de enterrá-la. Mandaram fazer um caixão de vidro transparente, escreveram seu nome em letras douradas e o levaram para o alto da montanha. Um dos anões ficava sempre de guarda, e até os animais da floresta vinham chorar por ela — uma coruja, um corvo, e por fim uma pombinha.
Assim Branca de Neve ficou muito, muito tempo dentro do caixão de vidro, sem envelhecer, branca como a neve, vermelha como o sangue, de cabelos escuros como o ébano.
Certo dia, um príncipe passou por aquela floresta e encontrou o caixão no alto da montanha. Ao ver a menina adormecida, não conseguiu se afastar dali. — Deixem-me levar este caixão — pediu aos anões. — Quero honrar Branca de Neve como o meu maior tesouro. Os anões, vendo a sinceridade em seu coração, tiveram pena dele e permitiram que levasse o caixão.
Enquanto seus criados carregavam o caixão, tropeçaram em um arbusto, e o caixão balançou com força — e o pedaço de maçã envenenada, que havia ficado preso na garganta de Branca de Neve, saltou para fora. No instante seguinte, ela abriu os olhos, sentou-se e estava viva outra vez.
— Onde estou? — perguntou, espantada. — Comigo — respondeu o príncipe, cheio de alegria, e contou-lhe tudo o que havia acontecido. — Eu a amo mais do que tudo neste mundo. Venha comigo, quero que seja minha esposa. Branca de Neve sentiu que gostava dele, e partiram juntos para o castelo, onde se celebrou um casamento grande e esplêndido.
Para essa festa também foi convidada a madrasta de Branca de Neve. Antes de sair, ela perguntou mais uma vez ao espelho quem era a mais bela do reino — e desta vez ele respondeu: — A senhora é bela, minha rainha, isso é verdade, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela.
Tomada de susto e de má consciência, a princípio ela não quis ir ao casamento. Mas a curiosidade não a deixava em paz, e por fim precisou ir, para ver com os próprios olhos aquela jovem rainha. Quando entrou no salão e reconheceu Branca de Neve, ficou paralisada de espanto.
Naquele dia, toda a sua maldade ficou às claras diante de todos, e, tomada de vergonha, fugiu do salão e nunca mais voltou. Nunca mais pôde fazer mal a Branca de Neve.
Branca de Neve e o príncipe viveram felizes juntos, e os sete anõezinhos continuaram sendo seus bons amigos por toda a vida.