
O Ganso de Ouro
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O Bobalhão, desprezado por sua família, encontra na floresta um velhinho misterioso e, diferente de seus irmãos egoístas, divide generosamente sua simples refeição com ele, recebendo em troca um ganso de penas de ouro puro. Com seu ganso maravilhoso que cola quem o toca, o Bobalhão forma um cortejo hilariante que faz rir a princesa impossível de alegrar, conquistando sua mão — mas o rei impõe desafios cada vez maiores, que o Bobalhão supera com a ajuda mágica de homens extraordinários que encontra na floresta.
Era uma vez um homem que tinha três filhos. O mais novo era chamado de Bobalhão, e todos o desprezavam e riam dele, deixando-o sempre de lado em tudo.
Um dia, o filho mais velho quis ir à floresta cortar lenha. Antes de partir, a mãe lhe deu um belo bolo de ovos e uma garrafa de vinho, para que não sentisse fome nem sede pelo caminho. Ao chegar à floresta, encontrou um homenzinho velho e grisalho, que lhe desejou um bom dia e disse:
— Me dê um pedaço desse bolo que está na sua sacola, e um gole desse seu vinho. Estou com tanta fome e tanta sede...
Mas o filho esperto respondeu:
— Se eu te der meu bolo e meu vinho, não fico com nada para mim. Vá cuidar da sua vida.
E deixou o homenzinho ali, seguindo seu caminho. Pouco depois, quando começou a cortar uma árvore, o machado escapou e feriu seu braço, de modo que teve de voltar para casa para curar o ferimento. E foi o homenzinho grisalho quem fez aquilo acontecer.
Depois foi o segundo filho à floresta, e a mãe lhe deu, como ao mais velho, um bolo de ovos e uma garrafa de vinho. Também ele encontrou o velho homenzinho grisalho, que lhe pediu um pedacinho de bolo e um gole de vinho. Mas o segundo filho também respondeu com toda a razão:
— O que eu te der vai me fazer falta. Vá cuidar da sua vida.
E deixou o homenzinho ali, seguindo seu caminho. O castigo não demorou: depois de poucos golpes no tronco, acertou o próprio machado na perna, e teve de ser carregado para casa.
Então o Bobalhão disse:
— Pai, deixe-me ir cortar lenha também.
O pai respondeu:
— Seus irmãos se machucaram fazendo isso. Melhor deixar quieto, você não entende nada dessas coisas.
Mas o Bobalhão insistiu tanto que o pai por fim disse:
— Vá, então. Quem sabe o tropeço lhe ensine alguma coisa.
A mãe lhe deu um bolo assado nas cinzas com água, e uma garrafa de cerveja azeda. Ao chegar à floresta, ele também encontrou o velho homenzinho grisalho, que o saudou e disse:
— Me dê um pedaço do seu bolo e um gole da sua garrafa. Estou com tanta fome e tanta sede...
O Bobalhão respondeu:
— Só tenho bolo de cinza e cerveja azeda. Se lhe servir, vamos nos sentar e comer juntos.
Sentaram-se, e quando o Bobalhão tirou seu bolo de cinza, ele havia se tornado um belo bolo de ovos, e a cerveja azeda, um bom vinho. Comeram e beberam, e depois o homenzinho disse:
— Porque você tem bom coração e divide de bom grado o que possui, quero lhe dar sorte. Ali está uma árvore velha — corte-a, e nas raízes você encontrará algo.
E então o homenzinho se despediu.
O Bobalhão foi até lá e derrubou a árvore, e quando ela caiu, viu, entre as raízes, um ganso com penas de puro ouro. Ele o tirou dali, tomou-o nos braços e foi para uma hospedaria, onde pretendia passar a noite. O dono da hospedaria tinha três filhas, que, ao verem o ganso, ficaram curiosas com aquele pássaro tão estranho e desejaram muito arrancar uma de suas penas douradas. A mais velha pensou: "Vai aparecer uma oportunidade de eu tirar uma pena." E quando o Bobalhão saiu por um instante, ela agarrou o ganso pela ala — mas seus dedos e sua mão ficaram colados ali, sem soltar. Pouco depois veio a segunda filha, pensando apenas em pegar uma pena dourada, mas assim que tocou a irmã, ficou também colada a ela. Por fim veio a terceira, com a mesma intenção. As outras gritaram:
— Fique longe, pelo amor do céu, fique longe!
Mas ela não entendeu por que deveria ficar longe, e pensou: "Se elas estão lá, eu também posso estar." Correu até elas e, ao tocar a irmã, ficou colada também. E assim as três passaram a noite inteira presas ao ganso.
Na manhã seguinte, o Bobalhão tomou o ganso nos braços e seguiu seu caminho, sem se importar com as três moças presas a ele. Elas tinham de correr atrás dele, para a esquerda e para a direita, conforme suas pernas se moviam. No meio do campo encontraram o padre, que, ao ver aquele cortejo, exclamou:
— Que vergonha, moças! Correndo atrás de um rapaz pelo campo assim! Isso não se faz!
E, dizendo isso, agarrou a mais jovem pela mão para puxá-la de volta — mas assim que a tocou, ficou também colado, e teve de correr atrás junto com elas. Não muito depois, veio o sacristão e viu o padre correndo atrás de três moças, e se admirou, exclamando:
— Ei, padre, aonde vai tão apressado? Não esqueça que hoje ainda temos um batismo!
Correu até ele e o agarrou pela manga — mas ficou colado também. Enquanto os cinco corriam assim, um atrás do outro, vieram dois camponeses voltando do campo com suas enxadas. O padre gritou por eles, pedindo que o soltassem, junto com o sacristão. Mas assim que tocaram o sacristão, ficaram colados também. E assim eram agora sete, correndo atrás do Bobalhão e de seu ganso.
Depois disso, ele chegou a uma cidade onde reinava um rei que tinha uma filha tão séria que ninguém conseguia fazê-la rir. Por isso, o rei havia decretado: quem fizesse a princesa rir, teria sua mão em casamento. Quando o Bobalhão ouviu isso, foi com seu ganso e seu cortejo até a princesa. E, ao ver aqueles sete correndo um detrás do outro, ela começou a rir tão alto que não conseguia parar. O Bobalhão então pediu a princesa em casamento.
Mas o rei não gostou daquele futuro genro. Pôs uma condição atrás da outra, dizendo primeiro que o Bobalhão deveria trazer um homem capaz de beber um porão inteiro de vinho. O Bobalhão pensou no homenzinho grisalho, que talvez pudesse ajudá-lo, e foi à floresta. No lugar onde havia derrubado a árvore, viu um homem sentado com o rosto muito triste. O Bobalhão perguntou o que o afligia tanto, e o homem respondeu:
— Tenho tanta sede que não consigo saciá-la. Água fria não me faz bem nenhum. Já bebi um barril inteiro de vinho, mas o que é isso senão uma gota numa pedra quente?
— Nisso eu posso te ajudar — disse o Bobalhão. — Venha comigo, e ficará satisfeito.
Levou-o ao porão do rei, e o homem se lançou sobre os grandes barris, bebendo e bebendo até doerem os quadris, e antes que um dia se passasse, havia esvaziado o porão inteiro.
O Bobalhão pediu de novo sua noiva, mas o rei, irritado por ver que um simples rapaz, a quem todos chamavam de Bobalhão, levaria sua filha, inventou nova condição: que trouxesse um homem capaz de comer uma montanha inteira de pão. O Bobalhão não pensou muito e foi direto à floresta. No mesmo lugar estava sentado um homem que apertava a cintura com um cinto, com cara de aflição, e disse:
— Já comi um forno inteiro de pão, mas o que isso ajuda, quando se tem uma fome como a minha? Meu estômago continua vazio, e só me resta apertar o cinto para não morrer de fome.
O Bobalhão ficou contente e disse:
— Venha comigo, e vai finalmente comer até se satisfazer.
Levou-o à corte do rei, que mandara juntar toda a farinha do reino para assar uma montanha enorme de pão. Mas o homem da floresta se pôs diante dela, começou a comer, e em um único dia a montanha inteira havia desaparecido.
Pela terceira vez o Bobalhão pediu sua noiva. Mas o rei ainda buscou uma última saída, e exigiu um navio que pudesse navegar tanto em terra quanto em água.
— Assim que você chegar navegando nesse navio — disse o rei —, terá minha filha por esposa.
O Bobalhão foi direto à floresta. Lá estava o velho homenzinho grisalho, a quem havia dado seu bolo, e disse:
— Bebi e comi por você, e agora lhe darei também o navio. Faço tudo isso porque você foi bondoso comigo.
E deu-lhe o navio que navegava por terra e por água. Quando o rei viu aquilo, não pôde mais recusar a filha. O casamento foi celebrado, e, depois que o velho rei morreu, o Bobalhão herdou o reino e viveu feliz por muitos anos com sua esposa.