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Jarra de barro alta e estreita sobre pedra musgosa junto a um rio: a cegonha enfia o bico fundo nela; a raposa ao lado, focinho no gargalo, sem alcançar nada.

A raposa e a cegonha

Esopo

1 min de leitura4–9 anos

A raposa convida a cegonha para jantar e serve a sopa num prato raso, onde o bico fino da convidada mal toca o caldo. Depois a cegonha retribui o convite e serve o jantar numa jarra alta e estreita: a raposa rodeia o gargalo, lambe a borda e não alcança nada, e fica ali, com fome, vendo a cegonha jantar sossegada.


Um dia, a raposa convidou a cegonha para jantar. De comida, só havia sopa, servida num prato bem largo e raso. A raposa lambeu tudo com gosto, até a última gota.

A cegonha, com aquele bico comprido e fino, mal conseguia molhar a ponta dele no caldo. Tentou de um lado, tentou do outro e ficou sem provar quase nada. A raposa, matreira, achou a maior graça no aperto da convidada.

A raposa lambe a sopa do prato raso com a língua esticada, enquanto a cegonha curvada enfia a ponta do bico na mesma vasilha, numa clareira dourada da floresta.

Pouco tempo depois, foi a cegonha que convidou a raposa. Serviu o jantar numa jarra alta, de gargalo comprido e estreito. Para a cegonha foi fácil: enfiou o bico e comeu à vontade.

A raposa rodeou a jarra, cheirou, lambeu a borda e não alcançou nada. Ficou sentada ali, com fome e sem jeito, olhando a cegonha jantar sossegada.

Recontado pela Talerie, Fonte: Aesop's Fables: a new translation (abre em uma nova janela)

Licença: Domínio público