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Um boneco de gengibre recém-assado, com sorriso de glacê, corre de braços abertos por uma estradinha de campo ao entardecer.

O Homem-Biscoito

Joseph Jacobs

5 min de leitura4–8 anos

Uma velhinha assa um bonequinho de biscoito que ganha vida e sai correndo de casa, escapando de todos que tentam alcançá-lo enquanto repete seu refrão de desafio pelo caminho. Na beira de um rio, ele aceita a ajuda de uma raposa astuta para atravessar a água, mas acaba enganado e comido por ela bem na outra margem.


Era uma vez, numa casinha na beira de um vilarejo, uma velhinha e um velhinho que viviam felizes juntos. Numa manhã ensolarada, a velhinha resolveu preparar uma surpresa especial para o marido: um bonequinho de biscoito, com um sorriso largo de glacê e dois olhinhos feitos de passas.

Ela abriu a massa, cortou um belo homenzinho e o colocou no forno para assar. Mas, quando abriu a porta do forno para tirá-lo, o bonequinho se sentou de repente, pulou da forma e saiu correndo pela porta.

— Volte aqui! — gritou a velhinha, correndo atrás dele o mais rápido que suas pernas aguentavam. O velhinho ouviu a confusão e saiu apressado atrás dela, acenando o chapéu no ar.

Mas o Homem-Biscoito só ria e gritava por cima do ombro:

— Corra, corra o quanto puder! Você não me pega, eu sou o Homem-Biscoito, pode crer!

E corria tão depressa que logo a velhinha e o velhinho ficaram muito para trás, sem fôlego, e tiveram que parar para descansar.

Ele seguiu correndo pela estrada e atravessou um campo, onde dois trabalhadores debulhavam trigo.

— Espere! — chamaram eles—. Aonde você vai com tanta pressa?

— Fugi da velhinha e do velhinho — disse o Homem-Biscoito—, e posso fugir de vocês também, posso, posso!

— Corra, corra o quanto puder! Você não me pega, eu sou o Homem-Biscoito, pode crer!

Os trabalhadores largaram tudo e saíram correndo atrás dele, mas ele era rápido demais para eles, e logo pararam para recuperar o fôlego.

Ele seguiu em frente e passou por uma vaca pastando no campo.

— Muuu! Aonde você vai com tanta pressa? — perguntou ela.

— Fugi da velhinha, do velhinho e de dois trabalhadores — disse o Homem-Biscoito—, e posso fugir de você também, posso, posso!

— Corra, corra o quanto puder! Você não me pega, eu sou o Homem-Biscoito, pode crer!

A vaca foi atrás dele o mais rápido que suas pernas permitiam, mas foi inútil. Ele já estava longe, estrada afora.

Mais adiante, ele passou por um cavalo num cercado, que arrebitou as orelhas e saiu a trote atrás dele.

— Fugi da velhinha, do velhinho, de dois trabalhadores e de uma vaca — gritou o Homem-Biscoito—, e posso fugir de você também, posso, posso!

— Corra, corra o quanto puder! Você não me pega, eu sou o Homem-Biscoito, pode crer!

O cavalo galopou com toda a força, mas o Homem-Biscoito era mais rápido ainda, e logo ficou para trás, ofegante.

A essa altura, o Homem-Biscoito estava muito satisfeito consigo mesmo, pois ninguém no mundo inteiro tinha conseguido pegá-lo. Ele correu até chegar a um rio largo e de correnteza forte, sem nenhuma ponte à vista. Parou de repente na beira da água, sem saber como atravessar.

Deitada na grama por perto estava uma raposa, observando-o com um brilho astuto no olhar.

— Ora, ora — disse a raposa—. Você deve ser mesmo um bom corredor, para estar correndo assim num dia tão quente.

— Fugi da velhinha, do velhinho, de dois trabalhadores, de uma vaca e de um cavalo — disse o Homem-Biscoito, orgulhoso—. Corra, corra o quanto puder! Você não me pega, eu sou o Homem-Biscoito, pode crer!

— Ah, não tenho o menor interesse em pegar você — disse a raposa, com voz macia—. Mas esse rio é fundo demais para um sujeitinho como você atravessar sozinho. Suba no meu rabo, que eu te levo nadando até o outro lado, em segurança.

O Homem-Biscoito pensou um pouco, mas a raposa parecia bem simpática, e não havia outro jeito de atravessar. Então ele subiu no rabo da raposa, e ela começou a nadar.

— Você está se molhando aí — disse a raposa, depois de um instante—. Suba nas minhas costas.

O Homem-Biscoito subiu.

Um pouco mais adiante, a raposa disse: — Suba no meu ombro agora, a água está ficando funda.

O Homem-Biscoito subiu no ombro dela.

— Suba no meu focinho — disse a raposa, por fim—, ou a água vai te encharcar todinho.

O Homem-Biscoito subiu bem na pontinha do focinho da raposa, ali na beira da água, certo de que estava a salvo.

Mas assim que ele ficou perto o bastante, a raposa abriu a boca e, num instante só, chegou o fim do pequeno Homem-Biscoito, que tinha corrido tão longe e tão depressa, mas nunca o suficiente.

Recontado pela Talerie

Fonte: English Fairy Tales, collected by Joseph Jacobs (Project Gutenberg #7439)

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