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O Lobo e os Sete Cabritinhos

O Lobo e os Sete Cabritinhos

Irmãos Grimm

5 min de leitura4–9 anos

Uma velha cabra sai para buscar comida na floresta e avisa seus sete filhotes para não abrirem a porta ao lobo, que tenta enganá-los disfarçando a voz e as patas. Quando o lobo consegue entrar e engana os cabritinhos, cabe à cabra usar de esperteza para resgatar seus filhos e dar um fim à ameaça de uma vez por todas.


Era uma vez uma velha cabra que tinha sete cabritinhos, e ela os amava como toda mãe ama seus filhos. Um dia, precisou ir à floresta buscar comida. Chamou os sete e disse:

— Filhinhos queridos, vou até a floresta. Cuidado com o lobo! Se ele entrar aqui, vai fazer mal a vocês. Esse velhaco costuma se disfarçar, mas vocês sempre vão reconhecê-lo pela voz rouca e pelas patas pretas.

Os cabritinhos responderam: — Não se preocupe, mãe querida, vamos ficar atentos. Pode ir sossegada.

E a velha cabra, aliviada, balindo de leve, seguiu seu caminho.

Não demorou muito, alguém bateu à porta e disse: — Abram, filhinhos queridos, é a mamãe, e trouxe uma coisinha para cada um de vocês!

Mas os cabritinhos logo notaram a voz rouca e gritaram: — Não vamos abrir! Nossa mãe tem a voz fininha e doce. A sua voz é rouca — você é o lobo!

O lobo então foi até um vendedor e comprou um bom pedaço de giz. Comeu tudo, e sua voz ficou fina e clara. Voltou, bateu à porta e repetiu as mesmas palavras. Só que, sem querer, deixou a pata preta apoiada na janela. As crianças viram e gritaram: — Não vamos abrir! Nossa mãe não tem pata preta. Você é o lobo!

O lobo correu então até um padeiro e disse: — Passe massa na minha pata.

Feito isso, correu até o moleiro e pediu: — Jogue farinha branca na minha pata.

O moleiro suspeitou de que o lobo tramava algo ruim e não quis fazer. Mas o lobo ameaçou: — Se você não fizer, vai se arrepender.

O moleiro, com medo, obedeceu.

Agora, pela terceira vez, o lobo foi até a porta, bateu e chamou com sua voz fina: — Abram, filhinhos queridos, a mãezinha voltou e trouxe uma coisinha da floresta para cada um de vocês.

Os cabritinhos disseram: — Mostre primeiro a sua pata, para termos certeza.

O lobo colocou a pata branca na janela, e como ela parecia mesmo a pata da mãe, os cabritinhos se enganaram e abriram a porta.

Mas quem entrou foi o lobo. Cheios de susto, os cabritinhos tentaram se esconder. Um saltou debaixo da mesa, outro se enfiou sob a coberta da cama, o terceiro correu para dentro do forno, o quarto se escondeu na cozinha, o quinto entrou no armário, o sexto se abrigou debaixo da bacia de lavar, e o sétimo, o mais novinho de todos, escondeu-se dentro da caixa do relógio de parede. Mas o lobo os encontrou, um a um, e os engoliu, sem hesitar. Só não viu o mais novo, escondido no relógio. Satisfeita sua fome, o lobo saiu tranquilamente, foi até um prado verde, deitou-se sob uma árvore e não demorou a cair num sono profundo.

Pouco depois, a velha cabra voltou da floresta. Ah, o que ela viu! A porta da casa estava toda aberta, a mesa e as cadeiras derrubadas, a bacia de lavar em pedaços, a coberta e os travesseiros da cama espalhados pelo chão. Ela procurou seus filhos, mas não encontrou nenhum. Chamou um nome depois do outro — ninguém respondia. Só quando chamou o mais novo é que ouviu uma vozinha fina: — Mãe querida, estou aqui, dentro do relógio!

Ela o tirou de lá, e o pequeno cabritinho contou tudo: como o lobo tinha vindo e devorado todos os outros. Vocês podem imaginar como a velha cabra chorou amargamente.

Em sua dor, ela saiu de casa, e o cabritinho mais novo foi com ela. Quando chegaram ao prado, lá estava o lobo, deitado junto à árvore, roncando tão alto que os ramos tremiam. A cabra o examinou de todos os lados, e então percebeu que algo se movia e se debatia dentro daquela barriga bem cheia.

— Ah — pensou ela — será que meus pobres filhinhos ainda estão vivos?

Mandou então o pequeno correr para casa e trazer tesoura, agulha e fio. Com muito cuidado, abriu a barriga do lobo adormecido, e assim que fez o primeiro corte, já apareceu a cabecinha de um cabritinho. Continuou cortando, e um a um os seis saltaram para fora, sãos e salvos, pois o lobo, em sua gula, os havia engolido de uma vez, sem lhes fazer mal. Que alegria foi aquela! Todos abraçaram a mãe e saltaram de felicidade.

Mas a velha cabra disse: — Agora vão buscar pedras grandes. Vamos colocá-las na barriga desse bicho mau, enquanto ele ainda dorme.

Rapidamente os sete cabritinhos trouxeram pedras e as encaixaram, tantas quantas coubessem. Depois a mãe costurou a barriga de novo, bem rápido, e o lobo, dormindo, não sentiu nada.

Quando o lobo finalmente despertou, levantou-se, e como as pedras na barriga lhe davam muita sede, quis ir até um poço beber água. Mas a cada passo que dava, as pedras se chocavam e chacoalhavam dentro dele. Então ele exclamou, espantado:

"Que barulho, que chacoalhar, dentro de mim, sem parar? Achei que eram seis cabritinhos — agora só ouço pedrinhas, quem diria!"

Quando chegou ao poço e se abaixou para beber, o peso das pedras o arrastou para dentro, e ele afundou nas águas.

Ao verem aquilo, os sete cabritinhos correram até lá, gritando alegremente: — O lobo morreu! O lobo morreu!

E, junto com a mãe, dançaram felizes em roda do poço.