Pular para o conteúdo
Seis cabritinhos brancos junto à lareira acesa, outro espiando de dentro do relógio de pêndulo, e o lobo debruçado na janela aberta com a pata no peitoril.

O Lobo e os Sete Cabritinhos

Irmãos Grimm

4 min de leituraa partir dos 4 anos

O lobo entra na casa quando a mãe não está e engole seis dos sete filhos; só o menorzinho escapa dentro do relógio. A mãe abre a barriga do bicho adormecido, os seis saltam para fora vivos, e ela costura pedras no lugar deles; o peso puxa o lobo para dentro do poço, e os sete dançam de alegria em volta da água.


Era uma vez uma cabra que tinha sete cabritinhos e gostava deles como uma mãe gosta dos filhos. Um dia, precisou ir à floresta buscar comida e chamou os sete:

— Tomem cuidado com o lobo. Se ele entrar aqui, come todos vocês. Ele sabe se disfarçar, mas vocês vão reconhecê-lo pela voz áspera e pelas patas pretas.

Os cabritinhos prometeram tomar cuidado, e a cabra saiu tranquila. Não demorou muito e alguém bateu à porta.

— Abram, filhinhos queridos! A mãe de vocês chegou e trouxe um presente para cada um.

— Não abrimos! — gritaram os cabritinhos. — A nossa mãe tem uma voz fina e doce, e a sua é áspera. Você é o lobo!

O lobo foi até a venda, comprou um pedaço de giz e comeu tudo para afinar a voz. Voltou, bateu à porta e chamou:

— Abram, filhinhos queridos! A mãe de vocês chegou e trouxe um presente para cada um.

Mas tinha apoiado a pata preta no parapeito da janela.

— Não abrimos! A nossa mãe não tem pata preta como a sua. Você é o lobo!

Então o lobo correu ao padeiro, que passou massa na pata dele, e ao moleiro, que, com medo, jogou farinha branca na pata.

Num moinho ensolarado, o lobo apoia a pata preta no balcão e o velho moleiro, assustado, despeja sobre ela a farinha branca de uma pá de madeira.

Pela terceira vez o malvado bateu à porta.

— Abram, meus filhos! A mãezinha voltou e trouxe uma lembrança da floresta para cada um de vocês.

— Mostre a pata primeiro — pediram os cabritinhos. — Assim a gente sabe que é você mesma.

Ele pôs a pata na janela. Como estava branquinha, os sete abriram a porta. E quem entrou foi o lobo.

Apavorados, correram para se esconder: um debaixo da mesa, outro na cama, outro no forno, outro na cozinha, outro no armário, outro embaixo da bacia e o caçula dentro do relógio de pêndulo. Mas o lobo achou um por um e engoliu os seis. Só não encontrou o menorzinho, dentro do relógio. Depois saiu, deitou-se debaixo de uma árvore no prado e adormeceu.

Pouco depois a cabra voltou da floresta. A porta estava escancarada e a casa toda revirada. Chamou os filhos um por um pelo nome, e ninguém atendeu. Só ao chegar ao caçula é que uma vozinha fininha respondeu:

— Estou aqui, mãezinha, dentro do relógio.

Ela tirou o pequeno dali, e ele contou tudo. E como aquela mãe chorou!

Saiu de casa com o caçula e, no prado, lá estava o lobo dormindo debaixo da árvore, roncando tão alto que os galhos tremiam. Ela viu que alguma coisa se mexia dentro daquela barriga cheia. “Será que meus filhos ainda estão vivos?”, pensou.

Debaixo de uma árvore grande e retorcida, a cabra branca abaixa a cabeça sobre o lobo adormecido, de barriga estufada, e um cabritinho branco espia ao lado.

Mandou o caçula buscar tesoura, agulha e linha. Com todo o cuidado, abriu a barriga do bicho adormecido, e os seis saltaram para fora, vivos e sem um arranhão: o guloso os tinha engolido inteiros. Foi uma alegria só, todos abraçados na mãe!

— Agora vão buscar pedras — disse ela. — Vamos encher a barriga dele enquanto ele dorme.

Os sete trouxeram depressa quantas pedras cabiam, e a mãe costurou tudo antes que o lobo acordasse.

Quando acordou, o lobo sentiu uma sede enorme e foi beber no poço. A cada passo, as pedras batiam umas nas outras e faziam barulho. Então ele exclamou:

O que rola e retumbaaqui dentro da barriga?Pensei que fossem seis cabritos,e é só pedra que me castiga.

Inclinou-se sobre a água, e o peso das pedras o puxou para dentro. Foi esse o fim do lobo. Os sete cabritinhos vieram correndo e gritaram:

— O lobo morreu! O lobo morreu!

De cabeça para baixo, o lobo despenca por cima do muro de pedra do poço em direção à água escura, as patas traseiras ainda no alto, sob o céu noturno.

E dançaram de alegria com a mãe em volta do poço.

Recontado pela Talerie, Fonte: Kinder- und Hausmärchen (abre em uma nova janela)

Licença: Domínio público