
O rato do campo e o rato da cidade
2 min de leitura4–9 anostalerie.com/pt/contos/o-rato-do-campo-e-o-rato-da-cidade
O rato da cidade leva o amigo para a sua despensa e lhe oferece figos, mel e tâmaras, mas duas vezes alguém entra e os dois correm para um buraco. Para o rato do campo aquilo é demais: ele vai embora, dizendo que prefere as raízes e os grãos da sua toca à maior fartura cercada de perigos.
Um rato do campo e um rato da cidade se conheciam havia muito tempo, e um dia o rato do campo convidou o amigo para visitá-lo na sua toca, lá no campo.

O rato da cidade foi. Sentaram-se para jantar grãos de cevada e raízes, e as raízes tinham um gosto forte de terra. Aquilo não agradou nem um pouco ao visitante, que não se conteve:
— Meu pobre amigo, você vive aqui de migalhas, feito formiga. Precisava ver como eu vivo! Na minha despensa não falta nada. Venha ficar comigo, que você vai comer do bom e do melhor.
Foi assim que, ao voltar para a cidade, levou o rato do campo consigo e o conduziu até uma despensa cheia de farinha, aveia, figos, mel e tâmaras.
O rato do campo nunca tinha visto nada parecido. Sentou-se para aproveitar todas aquelas delícias que o amigo lhe oferecia, mas mal tinham começado, a porta da despensa se abriu e alguém entrou. Os dois dispararam e se esconderam num buraco apertado, onde mal cabiam.
Quando tudo voltou a ficar quieto, arriscaram sair. Só que outra pessoa entrou, e lá foram eles correndo de novo.
Para o rato do campo, aquilo já era demais.
— Adeus — disse ele. — Vou embora. Você vive na maior fartura, isso eu vi, mas vive também cercado de perigos. Lá em casa eu como minhas raízes e meus grãos em paz.
Recontado pela Talerie, Fonte: Aesop's Fables: a new translation (abre em uma nova janela)
Licença: Domínio públicoCopie este texto, adapte e use como quiser. Um link para a Talerie é bem-vindo, mas não é obrigatório.CC0 1.0 (abre em uma nova janela)
