Pular para o conteúdo
Um lobo cinza baixa a cabeça diante de um cordeiro branco bem menor, parado na margem de um riacho na luz dourada do fim de tarde.

O lobo e o cordeiro

Esopo

2 min de leitura5–10 anos

Um cordeiro se afasta do rebanho e cruza com um lobo faminto, que inventa um pretexto atrás do outro para poder devorá-lo. Nenhuma resposta o salva: o lobo avança, o campo fica quieto e, ao cair da tarde, quando o rebanho volta para casa, falta um cordeirinho.


Um cordeiro pequeno se distraiu e foi ficando para trás. Quando deu por si, estava sozinho no campo aberto, longe do rebanho, à beira de um riacho, e foi ali que o lobo o encontrou.

O lobo olhou aquele bichinho miúdo e sentiu um incômodo. Não ficava bem acabar com uma criatura tão indefesa assim, sem mais nem menos. Precisava de um motivo, e tratou de arranjar um.

Um lobo desce a margem do riacho em direção a um cordeiro sozinho na margem oposta, sob leve neblina da manhã.

— No ano passado você falou muito mal de mim — disse o lobo.

— Isso não é possível, senhor — respondeu o cordeiro, com a voz fininha. — No ano passado eu ainda nem tinha nascido.

— Pois então você anda pastando no meu campo — disse o lobo.

— Também não pode ser, senhor. Eu nunca provei um fio de capim na vida.

— Então você bebe água da minha fonte — insistiu o lobo.

— De verdade, senhor, nunca bebi nada além do leite da minha mãe.

— Seja como for — disse o lobo —, eu não vou ficar sem jantar.

E não houve mais conversa. O lobo avançou, e o campo ficou quieto. Quando o rebanho se recolheu, ao cair da tarde, faltava um cordeirinho.

Recontado pela Talerie, Fonte: Aesop's Fables: a new translation (abre em uma nova janela)

Licença: Domínio público