
Um cordeiro se afasta do rebanho e cruza com um lobo faminto, que inventa um pretexto atrás do outro para poder devorá-lo. Nenhuma resposta o salva: o lobo avança, o campo fica quieto e, ao cair da tarde, quando o rebanho volta para casa, falta um cordeirinho.
Um cordeiro pequeno se distraiu e foi ficando para trás. Quando deu por si, estava sozinho no campo aberto, longe do rebanho, à beira de um riacho, e foi ali que o lobo o encontrou.
O lobo olhou aquele bichinho miúdo e sentiu um incômodo. Não ficava bem acabar com uma criatura tão indefesa assim, sem mais nem menos. Precisava de um motivo, e tratou de arranjar um.

— No ano passado você falou muito mal de mim — disse o lobo.
— Isso não é possível, senhor — respondeu o cordeiro, com a voz fininha. — No ano passado eu ainda nem tinha nascido.
— Pois então você anda pastando no meu campo — disse o lobo.
— Também não pode ser, senhor. Eu nunca provei um fio de capim na vida.
— Então você bebe água da minha fonte — insistiu o lobo.
— De verdade, senhor, nunca bebi nada além do leite da minha mãe.
— Seja como for — disse o lobo —, eu não vou ficar sem jantar.
E não houve mais conversa. O lobo avançou, e o campo ficou quieto. Quando o rebanho se recolheu, ao cair da tarde, faltava um cordeirinho.
Recontado pela Talerie, Fonte: Aesop's Fables: a new translation (abre em uma nova janela)
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