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Num celeiro iluminado por um lampião, um rato em pé sobre uma pedra ergue um guizo dourado preso a uma fita vermelha, e oito ratos sentados olham para ele.

A Assembleia dos Ratos

Esopo

1 min de leitura a partir dos 4 anos

Um bando de ratos vive sem sossego por causa do gato. Reunidos em assembleia, eles discutem uma ideia atrás da outra, e nenhuma resolve o problema. Então um rato respeitado, que já viu muita coisa, pede a palavra.


Era uma vez um bando de ratos que não tinham sossego por causa do gato. Ele vivia atacando, e os ratos não sabiam como se defender. Então, um dia, todos se reuniram em assembleia para encontrar um jeito de ficar a salvo.

Um gato rajado marrom, de olhos atentos, avança devagar e com o corpo abaixado pelo alto de um muro de pedra num celeiro escuro.

Houve muitas ideias. Cada uma foi discutida, pesada e deixada de lado, porque nenhuma resolvia o problema.

Por fim, um rato respeitado, que já tinha visto muita coisa na vida, se levantou e disse:

— Meus amigos, acho que encontrei um plano que vai nos deixar em segurança daqui para a frente, contanto que vocês o aprovem e o ponham em prática. É o seguinte: vamos pendurar um guizo no pescoço do nosso inimigo, o gato. Assim, toda vez que ele se aproximar, o tilintar do guizo vai nos avisar.

Todos aplaudiram a proposta com entusiasmo, e a assembleia já tinha decidido adotá-la quando um rato velho se pôs de pé e disse:

— Amigos, eu concordo com todos vocês: o plano é admirável. Mas quem vai pendurar o guizo no pescoço do gato?

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Recontado pela Talerie, fonte: Aesop’s Fables: a new translation (abre em uma nova janela) Domínio público

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Sobre esta fábula

A fábula circula com o nome de Esopo, e é assim que aparece no livro em inglês que usamos como base; os textos que lemos não dizem nada mais seguro sobre o autor. La Fontaine a contou em versos franceses, e em português ela tem este mesmo título nas Fábulas de Monteiro Lobato.

O texto que recontamos é “The Mice in Council”, de uma coletânea em inglês traduzida por V. S. Vernon Jones. Ele cabe num só parágrafo e acaba na pergunta do rato velho, sem moral. Nós também paramos na pergunta; a moral embaixo do texto foi escrita por nós. O gato Faro-Fino e as desculpas dos ratos de Lobato não aparecem aqui.

A fábula na nossa fonte e em Monteiro Lobato

Vernon Jones (1912)Lobato, 9.ª ed. (1943)
Título“The Mice in Council”“A Assembleia dos Ratos”
O gatosem nomeFaro-Fino
Quando se reúnemo texto não dizà noite, com o gato no telhado
Quem dá a ideiaum rato de prestígio e experiênciaum dos ratos
Quem vê o problemaum rato velhoum rato casmurro, que vota contra
Depois da perguntanada, a fábula terminasilêncio geral, desculpas, a assembleia se desfaz
Moralnenhuma“Dizer é facil; fazer é que são elas!”
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Mas quem vai pendurar o guizo no pescoço do gato?
Vernon Jones, 1912: I agree with you all that the plan before us is an admirable one: but may I ask who is going to bell the cat?

Como a fábula é contada aqui

Os ratos vivem sem sossego por causa de um gato que não para de atacá-los, e um dia todos se reúnem em assembleia. Surgem muitas ideias, mas cada uma é discutida, pesada e deixada de lado. Então se levanta um rato respeitado, que já viu muita coisa na vida, e propõe pendurar um guizo no pescoço do gato, para que o tilintar avise quando ele estiver chegando. Todos aplaudem, e o plano já está aprovado quando um rato velho se põe de pé e pergunta quem vai pendurar o guizo.

A história para nessa pergunta, do mesmo modo que em Vernon Jones. A moral que aparece logo depois da fábula é nossa, porque a tradução em inglês não traz nenhuma. Não há cena difícil de ler em voz alta: ninguém se machuca, e o gato só é mencionado.

Outras versões e uma confusão

Em La Fontaine, quem sugere o guizo é o decano dos ratos, “personne fort prudente”, e depois os ratos dão desculpas para não ir pendurá-lo. Na coletânea em inglês de Joseph Jacobs (primeira edição de 1894), a fábula se chama “Belling the Cat”; numa nota, Jacobs observa que dela vem a expressão inglesa “to bell the cat” e que a fábula é contada no prólogo de Piers Plowman. No livro de Lobato, depois da fábula, Dona Benta conversa sobre ela com as crianças.

No próprio livro de Vernon Jones há outra fábula em que alguém prende um sino no pescoço de um animal, “The Mischievous Dog”: ali é o dono que põe o sino no cachorro, e a história é outra.

Fontes

Textos de época

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Conferido com estas fontes em 2 de novembro de 2026.

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