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Velho fantasma de olhos vermelhos e correntes enferrujadas diante de um senhor de roupão que estende um vidrinho e segura uma vela; dois gêmeos espiam na porta.

O Fantasma de Canterville

Oscar Wilde

15 min de leitura a partir dos 8 anos

Os Otis compram Canterville Chase mesmo avisados de que a casa tem um fantasma. Em vez de tremer, o senhor Otis oferece lubrificante para as correntes do velho, e os gêmeos o recebem com travesseiros e zarabatanas. Só Virginia não acha graça na mancha de sangue que volta toda manhã, de outra cor.


Quando o senhor Hiram B. Otis, ministro dos Estados Unidos na Inglaterra, comprou Canterville Chase, todo mundo disse que era loucura, porque a casa era mal-assombrada. O próprio lorde Canterville, homem muito honesto, fez questão de avisá-lo.

— O fantasma já foi visto por várias pessoas da minha família e até pelo pároco — disse ele. — E sempre aparece quando um de nós está para morrer.

— Lorde Canterville — respondeu o ministro —, eu fico com os móveis e com o fantasma pelo preço da avaliação. Venho de um país moderno, e fantasma não existe.

— Se o senhor não se importa de ter um fantasma em casa, muito bem. Só não se esqueça de que eu avisei.

No verão, a família se mudou para lá: o senhor e a senhora Otis; Washington, o filho mais velho; Virginia, de quinze anos, ágil como uma corça; e os gêmeos, dois meninos levados. Certa vez, Virginia tinha vencido uma corrida de pôneis, e o jovem duque de Cheshire, que estava assistindo, pediu a mão dela ali mesmo. Naquela mesma noite, mandaram o menino de volta para o colégio, aos prantos.

Quando a carruagem entrou na alameda de Canterville Chase, o céu se fechou e começou a chover. Na porta esperava a senhora Umney, a velha governanta, que os levou à biblioteca, uma sala forrada de carvalho escuro, com um grande vitral no fundo.

Ali, a senhora Otis reparou numa mancha vermelho-escura no chão, ao lado da lareira.

— Acho que derramaram alguma coisa ali.

— Sim, senhora — disse a governanta em voz baixa. — É o sangue de lady Eleanore de Canterville, que foi morta bem aqui pelo próprio marido, sir Simon de Canterville, em 1575. Sir Simon viveu mais nove anos e depois sumiu. O corpo dele nunca foi encontrado, mas a alma culpada continua assombrando a casa. A mancha não sai.

— Bobagem! — exclamou Washington. — O Tira-Manchas Pinkerton limpa isso num instante.

Ele se ajoelhou, esfregou o chão, e a mancha sumiu. No mesmo instante, um relâmpago iluminou a sala, um trovão fez todo mundo pular, e a senhora Umney desmaiou.

Na biblioteca, um rapaz ajoelhado encosta um bastão preto na mancha vermelha junto à lareira, e a governanta desmaia diante do vitral clareado por um relâmpago.

Quando voltou a si, a governanta avisou que alguma desgraça ia acontecer naquela casa, mas os Otis garantiram que não tinham medo de fantasma.

Na manhã seguinte, a mancha estava de volta. Washington esfregou outra vez, e ela tornou a aparecer, mesmo com a biblioteca trancada. Foi naquela noite que as dúvidas acabaram.

À uma hora em ponto, o senhor Otis acordou com um barulho de ferro no corredor. Pegou um vidrinho e abriu a porta. Diante dele, à luz da lua, estava um velho terrível, de olhos vermelhos como brasas e cabelos grisalhos embaraçados. A roupa, de um corte antiquíssimo, estava rasgada, e dos pulsos e tornozelos pendiam correntes enferrujadas.

— Meu caro senhor — disse o senhor Otis —, preciso mesmo pedir que o senhor lubrifique essas correntes. Aqui está um vidrinho do Lubrificante Sol Nascente. Vou deixá-lo ao lado das velas.

E voltou para a cama.

O fantasma ficou imóvel de indignação. Depois jogou o vidrinho no chão e fugiu pelo corredor, gemendo e soltando uma luz verde. No alto da escada, uma porta se abriu, e os gêmeos jogaram um travesseiro na cabeça dele. O fantasma atravessou a parede e sumiu.

Em trezentos anos de carreira brilhante, nunca tinha sido tão insultado. Ele se lembrou dos seus triunfos: um lorde que morreu engasgado com uma carta de baralho, um mordomo que se matou de pavor, uma dama que se afogou no lago das carpas. E agora uns americanos lhe ofereciam lubrificante! Ele jurou vingança.

Por uma semana, ninguém o viu. Só a mancha voltava toda manhã, cada vez de uma cor: vermelho-escuro, vermelho-vivo, roxo e, um dia, verde-esmeralda. A família se divertia com isso. Só Virginia não achava graça; a mancha a deixava aflita, e no dia do verde-esmeralda ela quase chorou.

No domingo, um estrondo acordou a casa. No saguão, uma velha armadura tinha caído no chão, e o fantasma estava sentado numa poltrona, esfregando os joelhos. Era a armadura dele, mas ela pesava demais e tinha desabado com ele. Os gêmeos dispararam suas zarabatanas, e o ministro apontou o revólver e mandou que ele pusesse as mãos para o alto.

O fantasma, sentado numa poltrona ao lado da armadura caída, apoia as mãos nos joelhos, e da escada os gêmeos de camisolão disparam ervilhas com zarabatanas.

O fantasma passou por eles como neblina e, do alto da escada, soltou sua famosa gargalhada demoníaca. Uma porta se abriu, e a senhora Otis apareceu de roupão.

— O senhor não parece bem — disse ela. — Trouxe um elixir. Para indigestão, é tiro e queda.

Furioso, ele já ia se transformar num enorme cachorro preto quando ouviu os gêmeos chegando, e sumiu.

Depois de dias de cama, planejou uma terceira tentativa. Ia se apunhalar três vezes na garganta diante de Washington, pôr a mão gelada na testa da senhora Otis e rastejar pelo quarto dos gêmeos como um esqueleto. Para Virginia, que nunca o tinha ofendido, bastariam uns gemidos de dentro do armário.

À meia-noite, enrolado numa mortalha e com uma adaga enferrujada, saiu pelo corredor. Mas, ao dobrar o canto, recuou com um grito: diante dele estava um espectro horrível, de cabeça careca e redonda, olhos que soltavam luz vermelha e boca de fogo, com uma espada na mão e um cartaz no peito. Como nunca tinha visto um fantasma, fugiu para o quarto, morto de medo.

No corredor, o fantasma de mortalha e adaga recua apavorado diante de um espectro de cortina branca, cabeça de nabo com olhos em brasa, cutelo e cartaz.

Ao amanhecer, voltou para fazer amizade com o outro fantasma. Mas, quando o abraçou, a cabeça do espectro rolou pelo chão, e ele se viu agarrado a uma cortina branca, com uma vassoura, um facão de cozinha e um nabo oco aos pés. No cartaz estava escrito:

O PHANTASMA DOS OTIS O Unico, Verdadeyro e Originall Assombraçam. Cuydado com as Imitaçoens: todas as outras sam falsas.

Tinha sido feito de bobo! Ergueu as mãos murchas e jurou que, quando o galo cantasse duas vezes, haveria sangue e morte naquela casa. Logo depois, um galo cantou ao longe. O fantasma esperou e esperou, mas o galo não cantou de novo.

Depois disso, o fantasma ficou fraco e nervoso. Desistiu da mancha e, nas rondas que tinha a obrigação de fazer, andava descalço e com as correntes untadas com o Sol Nascente do senhor Otis. Mesmo assim, não o deixaram em paz. Tropeçava em barbantes esticados no escuro, e uma vez levou um tombo feio numa trilha de manteiga que os gêmeos tinham passado no chão.

Decidido a se vingar, foi assustar os meninos como “o Conde sem Cabeça”, mas, quando escancarou a porta do quarto deles, uma jarra de água despencou em cima dele. Fugiu ensopado, ouvindo risadas, e pegou um resfriado.

A última humilhação veio numa madrugada de setembro. Enquanto ia para a biblioteca, duas figuras pularam de um canto escuro e gritaram no ouvido dele:

— BUUU!

Na escada esperava Washington com o esguicho do jardim. Encurralado, o fantasma se enfiou no fogão de ferro e voltou para o quarto pelas chaminés, imundo e desesperado. Nunca mais foi visto à noite.

Todos acharam que ele tinha ido embora. O jovem duque de Cheshire veio passar a última semana das férias em Canterville Chase e cavalgava todos os dias com Virginia.

Um dia, ela rasgou o vestido de montaria numa cerca viva e subiu pela escada dos fundos para ninguém ver. A porta da Sala das Tapeçarias estava aberta, e lá dentro, junto à janela, estava o fantasma de Canterville, com a cabeça apoiada na mão, olhando as folhas caírem. Parecia tão sozinho e tão abatido que Virginia, em vez de fugir, sentiu pena dele.

Na Sala das Tapeçarias, o fantasma está sentado junto à janela com a cabeça na mão; Virginia, de cabelos dourados e manga rasgada, olha para ele com pena.

— Tenho tanta pena do senhor — disse ela. — Mas meus irmãos voltam para a escola amanhã e, se o senhor se comportar, ninguém mais vai incomodá-lo.

— Me comportar? Eu tenho de sacudir as correntes e gemer pelas fechaduras. É a única razão da minha existência.

— Isso não é razão para existir, e o senhor foi muito mau. A senhora Umney contou que o senhor matou a sua esposa.

— Isso eu admito — disse o fantasma, emburrado. — Mas era assunto de família. E não acho que foi bonito da parte dos irmãos dela me deixarem morrer de fome.

— Morrer de fome? Ah, senhor Fantasma, quer dizer, sir Simon, o senhor está com fome? Tenho um sanduíche aqui.

— Não, obrigado, eu não como mais nada. Mas a senhorita é bem mais gentil que o resto da sua família grosseira e desonesta.

— Chega! — gritou Virginia, batendo o pé. — Grosseiro e desonesto é o senhor, que roubou as tintas da minha caixa para pintar aquela mancha ridícula! Primeiro levou todos os vermelhos, e eu não pude mais pintar pores do sol. Depois levou o verde-esmeralda. E onde já se viu sangue verde-esmeralda?

— O que eu podia fazer? — disse ele, mais manso. — Hoje em dia é difícil arranjar sangue de verdade.

Virginia já ia embora quando ele pediu:

— Por favor, não vá, senhorita Virginia. Estou tão sozinho e tão infeliz. Quero dormir e não consigo. Faz trezentos anos que eu não durmo.

Os olhos azuis de Virginia se arregalaram. Ela se ajoelhou ao lado dele e olhou para aquele rosto velho e enrugado.

— Pobre fantasma. O senhor não tem um lugar onde possa dormir?

— Longe, depois do pinheiral — respondeu ele, com a voz baixa e sonhadora —, existe um pequeno jardim. Lá a grama cresce alta e macia, e o rouxinol canta a noite inteira. A lua fria olha lá de cima, e o teixo abre os braços enormes sobre os que dormem.

Os olhos de Virginia se encheram de lágrimas.

— O senhor está falando do Jardim da Morte — sussurrou.

— Sim. Deitar na terra macia e escutar o silêncio. Não ter ontem nem amanhã. Esquecer o tempo, perdoar a vida, ficar em paz. A senhorita pode me ajudar a abrir as portas da casa da Morte, porque o amor está sempre com a senhorita, e o amor é mais forte que a morte.

Virginia estremeceu, e por um momento ninguém disse nada. Então o fantasma perguntou:

— A senhorita já leu a velha profecia no vitral da biblioteca?

— Muitas vezes. Sei de cor:

Quando a menina dourada fizer rezar a boca culpada, quando a amendoeira seca der flor e uma criança chorar pelo pecador, então a casa vai se aquietar e a paz em Canterville vai morar.

— Mas não sei o que isso quer dizer.

— Quer dizer — explicou ele, triste — que a senhorita tem de chorar comigo pelos meus pecados, porque eu não tenho lágrimas, e rezar comigo pela minha alma, porque eu não tenho fé. Então, se a senhorita sempre foi boa e gentil, o Anjo da Morte terá pena de mim. A senhorita vai ver vultos medonhos no escuro e ouvir vozes más, mas nada disso vai lhe fazer mal, porque o inferno não pode nada contra a pureza de uma criança.

Virginia ficou calada, e o fantasma torcia as mãos, desesperado. De repente, ela se levantou, muito pálida.

— Não tenho medo. Vou pedir ao Anjo que tenha pena do senhor.

Ele deu um gritinho de alegria e beijou a mão de Virginia. Os dedos dele eram frios como gelo, mas ela não vacilou enquanto ele a levava pela sala. Os caçadores bordados na tapeçaria tocaram suas cornetas e fizeram sinal para ela voltar.

— Volte, pequena Virginia! Volte!

Ela fechou os olhos. Bichos de rabo de lagarto, entalhados na lareira, piscavam e murmuravam:

— Cuidado, pequena Virginia! Talvez a gente nunca mais veja você!

Mas ela não deu ouvidos. No fim da sala, o fantasma murmurou umas palavras estranhas, a parede se desfez como neblina, e apareceu uma grande caverna negra. Um vento gelado soprou.

De olhos fechados, Virginia anda de mãos dadas com o fantasma; os caçadores da tapeçaria tocam cornetas e acenam, e ao fundo a parede se abre em caverna negra.

— Depressa — gritou o fantasma —, senão vai ser tarde demais!

A parede se fechou atrás deles, e a Sala das Tapeçarias ficou vazia.

Na hora do chá, Virginia não desceu. Procuraram em toda parte, e nada. Então o senhor Otis se lembrou de que tinha deixado um grupo de ciganos acampar no parque e foi até lá com Washington. O duque implorou para ir junto, mas o senhor Otis não deixou. O acampamento estava vazio, com o fogo ainda aceso.

O senhor Otis telegrafou à polícia do condado, montou a cavalo e partiu pela estrada de Ascot. Pouco depois ouviu alguém galopando atrás dele. Era o duque, montado no pônei, muito vermelho e sem chapéu.

Ao entardecer, num caminho entre pinheiros, o senhor Otis vai a cavalo; atrás dele, o duque, de cabelo cacheado e sem chapéu, galopa no pônei e estende o braço.

— Desculpe, senhor Otis, mas não consigo jantar enquanto Virginia estiver perdida. Se o senhor tivesse deixado a gente noivar, nada disso teria acontecido. Não me mande de volta! Eu não vou!

O ministro sorriu, comovido com tanta dedicação.

— Está bem, Cecil. Venha comigo.

Percorreram os arredores até tarde e voltaram mortos de cansaço. Os ciganos tinham sido encontrados: só tinham saído às pressas por causa de uma feira, e alguns até ficaram para ajudar na busca. Depois de um jantar triste, o senhor Otis mandou todo mundo para a cama.

Quando o relógio bateu meia-noite, um trovão sacudiu a casa, uma música estranha flutuou no ar, e um painel no alto da escada se abriu. De dentro dele saiu Virginia, muito pálida, com uma caixinha na mão. Todos correram até ela; a mãe a apertou nos braços, e o duque a cobriu de beijos.

— Onde você estava, menina? — perguntou o pai.

— Pai, eu estive com o fantasma — disse Virginia, calma. — Ele morreu, e vocês precisam vir vê-lo. Ele foi muito mau, mas estava arrependido de verdade e, antes de morrer, me deu esta caixinha de joias.

Ela os levou por um corredor secreto até uma porta de carvalho, que se abriu quando ela a tocou. Lá dentro havia um quartinho de pedra com uma janela gradeada. Estendido no chão, havia um esqueleto preso por uma corrente a uma argola na parede. Os braços estavam esticados para um prato e uma jarra postos de propósito fora do alcance dele. Sir Simon tinha sido deixado ali, acorrentado, para morrer de fome.

Virginia se ajoelhou ao lado do esqueleto e começou a rezar em silêncio.

— Olhem! — exclamou de repente um dos gêmeos, que espiava pela janela. — A velha amendoeira seca floresceu! Dá para ver as flores ao luar.

— Deus o perdoou — disse Virginia, levantando-se, e uma luz linda pareceu iluminar o rosto dela.

Quatro dias depois, à noite e à luz de tochas, sir Simon foi enterrado embaixo do velho teixo do cemitério, e o reverendo Augustus Dampier leu as orações. Quando o caixão desceu para a cova, Virginia pôs sobre ele uma cruz de flores de amendoeira, brancas e cor-de-rosa. Nesse momento, a lua saiu de trás de uma nuvem, e um rouxinol começou a cantar. Virginia se lembrou do Jardim da Morte, e os olhos dela se encheram de lágrimas.

À noite, sob um grande teixo, Virginia, de preto, se inclina e põe uma cruz de flores de amendoeira no caixão coberto de pano roxo; o reverendo lê num livro.

Na manhã seguinte, o senhor Otis quis devolver as joias, que eram magníficas, a lorde Canterville.

— Minha filha ainda é uma criança, e essas joias são heranças da sua família — disse ele.

— Meu caro senhor — respondeu lorde Canterville —, sua filha prestou um grande serviço ao meu pobre antepassado, e as joias são dela. Além do mais, o senhor se esquece de que ficou com os móveis e com o fantasma pelo preço da avaliação. Tudo o que pertencia ao fantasma passou a ser seu.

Anos depois, Virginia se casou com o jovem duque de Cheshire, e, quando a nova duquesa foi apresentada à rainha, todos admiraram as joias dela. Depois da lua de mel, os dois foram a Canterville Chase e visitaram o túmulo de sir Simon. Na lápide estavam gravadas as iniciais dele e os versos do vitral:

Quando a menina dourada fizer rezar a boca culpada, quando a amendoeira seca der flor e uma criança chorar pelo pecador, então a casa vai se aquietar e a paz em Canterville vai morar.

Virginia espalhou rosas sobre o túmulo. Depois, nas ruínas da velha abadia, o duque segurou a mão dela.

— Virginia, você nunca me contou o que aconteceu quando ficou trancada com o fantasma.

— Nunca contei para ninguém, Cecil, e não posso contar. Pobre sir Simon! Devo muito a ele. Ele me fez entender o que é a vida, o que significa a morte, e por que o amor é mais forte que as duas.

O duque a beijou com carinho.

— Pode guardar seu segredo, desde que eu tenha o seu coração.

— Esse você sempre teve, Cecil.

— E um dia vai contar para os nossos filhos, não vai?

Virginia ficou vermelha.

Que nota você dá para este conto?

Recontado pela Talerie, fonte: Lord Arthur Savile's Crime and Other Stories (abre em uma nova janela) Domínio público

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Sobre este conto

“O Fantasma de Canterville” foi escrito por Oscar Wilde. A editora Methuen dá 1887 como o ano da primeira publicação do conto. Em 1891, com o subtítulo “A Hylo-Idealistic Romance”, ele entrou num livro de quatro contos de Wilde publicado em Londres pela Osgood, McIlvaine.

Recontamos a história a partir do texto inglês de 1891. A transcrição do Projeto Gutenberg, feita sobre uma edição posterior da Methuen, difere dele em cerca de vinte palavras isoladas; conferimos tudo com o livro de 1891 e mantivemos a redação dele. Nenhuma cena muda de uma edição para outra.

Wilde em 1891 e a nossa versão “Mais suave”

Wilde (1891)Nossa versão “Mais suave”
Tamanhocerca de 11.300 palavrascerca de 2.700 palavras
Presságio de morteaparece antes da morte de um Cantervillemantido
Cachorro pretoo fantasma pensa em virar um cão pretomantido
Plano contra o duqueaparecer como o Monge Vampironão aparece
O cartaz“YE OTIS GHOSTE”“O PHANTASMA DOS OTIS”
As joiaslongo discurso do senhor Otisuma fala curta
Casamentoapresentação à rainha na primavera de 1890“Anos depois”, sem data
Segredo de Virginianunca reveladoigual
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Quando a menina dourada fizer rezar a boca culpada, quando a amendoeira seca der flor e uma criança chorar pelo pecador, então a casa vai se aquietar e a paz em Canterville vai morar.
Oscar Wilde, 1891: When a golden girl can win / Prayer from out the lips of sin, / When the barren almond bears, / And a little child gives away its tears, / Then shall all the house be still / And peace come to Canterville.

O que fazem as nossas duas versões

Nesta página há duas recontagens nossas. A “Original” acompanha o conto de Wilde inteiro, sem cortes. Já a “Mais suave” encurta o texto, mas não deixa nenhuma cena de fora e segue a mesma ordem: o senhor Hiram B. Otis, ministro americano, compra Canterville Chase com os móveis e o fantasma, sir Simon de Canterville; a família zomba de todos os sustos dele, até que Virginia, a filha de quinze anos, aceita ajudá-lo a encontrar paz. Nas duas versões, o fantasma diz que ela tem de “chorar comigo pelos meus pecados”, como no livro de 1891; na edição da Methuen de 1912, ele pede que ela chore por ele.

Aqui “Mais suave” quer dizer mais curta, não mais branda. É uma história de fantasma cômica, mas no centro dela há um crime antigo: sir Simon matou a esposa, os irmãos dela o deixaram morrer de fome, e os Otis acabam encontrando o esqueleto dele acorrentado. O fantasma ainda se gaba de um mordomo que se matou de pavor e de uma dama que se afogou. Nada disso é contado em detalhe, e no fim ele encontra paz: a amendoeira seca floresce, e Virginia diz que Deus o perdoou. O conto nunca revela o que ela viu enquanto esteve com ele.

Outros contos de Wilde e um rótulo que confunde

No livro de 1891, o conto é o terceiro de quatro: vem depois de “Lord Arthur Savile's Crime” e “The Sphinx without a Secret” e antes de “The Model Millionaire”. Esses três não estão no nosso site, mas de Wilde você encontra aqui “O Príncipe Feliz”, “O Gigante Egoísta” e “O Jovem Rei”.

O botão “Original” não abre o texto inglês de Wilde. Ele mostra a nossa recontagem completa em português; o texto de 1891 está nos links abaixo.

Fontes

Textos de época

Conferido com estas fontes em 2 de novembro de 2026.

Onde mais encontrar este conto