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Polegarzinha

Polegarzinha

Hans Christian Andersen

10 min de leitura5–10 anos

Uma menina minúscula nasce dentro de uma tulipa e enfrenta perigos como sapos, besouros e o rigor do inverno, até encontrar refúgio com um camundongo e uma misteriosa toupeira. Quando uma andorinha que salvou a leva para terras quentes, Polegarzinha descobre um reino mágico de flores e encontra seu verdadeiro destino como rainha ao lado do rei das flores.


Era uma vez uma mulher que desejava, de todo o coração, ter uma filhinha, mas não sabia como conseguir isso. Então foi procurar uma velha feiticeira e pediu um conselho.

— Isso tem solução — disse a feiticeira, entregando-lhe um grão de cevada. — Não é dos que crescem na roça de qualquer lavrador. Plante-o num vaso de flores, e você vai ver o que acontece.

A mulher agradeceu, pagou o que foi pedido e, em casa, plantou o grão. No dia seguinte já havia brotado uma flor linda, fechada como um botão. A mulher beijou com ternura as pétalas vermelhas e amarelas — e, no mesmo instante, a flor se abriu com um estalinho suave. Era uma tulipa. E, sentadinha bem no meio, sobre o miolo verde da flor, havia uma menininha, não maior que um polegar. Por isso a chamaram de Polegarzinha.

Uma casca de noz bem lustrosa foi seu berço, folhas de violeta o colchão, uma pétala de rosa a coberta. De dia ela brincava sobre um prato cheio de flores, deslizando numa folha de tulipa e remando com dois fios finos de crina de cavalo. E ela sabia cantar de um jeito tão suave e bonito que ninguém jamais tinha ouvido nada igual.

Mas certa noite, um velho sapo entrou rastejando pela janela quebrada. Era grande, molhado e nada bonito de se ver. Ao ver Polegarzinha dormindo, pensou: "Que boa esposa ela seria para o meu filho!" Agarrou a casca de noz e saltou com ela pelo jardim, até a beira lodosa de um riacho, onde vivia com o filho. O filho era muito parecido com a mãe e só sabia dizer "Croc, croc!".

Para que Polegarzinha não pudesse fugir, colocaram a casca de noz sobre a maior folha de vitória-régia, bem no meio do riacho. Quando Polegarzinha despertou de manhã e viu que estava cercada de água por todos os lados, chorou amargamente, pois não tinha para onde escapar.

Mas os peixinhos do riacho tinham visto e ouvido tudo. Aquela menina tão encantadora não devia ir morar com o sapo — isso eles não achavam nada certo! Roeram o talo da folha, e ela partiu, levando Polegarzinha rio abaixo, bem longe, para onde o sapo já não podia alcançá-la.

Ela foi passando por muitas margens, e os pássaros nos arbustos cantavam: "Que menina tão linda!" Uma borboleta branca se juntou a ela, e Polegarzinha a amarrou com o próprio cinto à folha, para que andassem mais rápido. Mas então veio voando um grande besouro, agarrou-a e a levou para o alto de uma árvore. A folha, com a pobre borboleta que não conseguia se soltar, seguiu sozinha pela água.

No começo, o besouro achou Polegarzinha muito bonitinha. Mas quando os outros besouros chegaram e disseram: "Ela só tem duas pernas! Nem antenas tem! Parece gente, que coisa mais feia!", ele terminou concordando e a deixou sobre uma margarida. Ali Polegarzinha chorou, porque ninguém gostava dela — mesmo sendo tão delicada e bonita como uma pétala de rosa.

Durante todo o verão ela viveu sozinha na floresta. Teceu uma cama de folhas de capim e a pendurou sob uma folha de trevo, comia o néctar das flores e bebia o orvalho da manhã. Mas então chegou o inverno. Os pássaros voaram para longe, as folhas caíram, e o trevo sob o qual ela morava murchou. Polegarzinha tremia de frio dentro de suas roupinhas finas e rasgadas. Para ela, que tinha só uma polegada de altura, cada floco de neve era como uma pá inteira de neve.

Perto de um campo já colhido, ela encontrou por fim o buraco de um camundongo do campo, que tinha ali um cantinho quentinho e confortável. Polegarzinha pediu um pouco de grão, pois havia dias que não comia nada.

— Coitadinha — disse o camundongo —, entre e coma comigo! E, se quiser, pode ficar aqui o inverno todo — desde que mantenha minha casinha limpa e me conte histórias.

Polegarzinha fez isso de bom grado, e a vida foi ficando boa. Pouco depois, o camundongo anunciou uma visita: seu vizinho, uma toupeira rica, de belo pelo de veludo negro. — Ele não pode ver, infelizmente — disse o camundongo —, mas se você se casasse com ele, estaria bem cuidada para o resto da vida. Polegarzinha, porém, não gostou nada da ideia, pois não tinha o menor interesse por uma toupeira.

Quando ele veio, Polegarzinha cantou para ele, e sua linda voz tocou o coração da toupeira, embora ele não dissesse nada disso. A toupeira tinha cavado uma longa passagem entre sua casa e a do camundongo. Nela havia — como ele os avisou — um pássaro morto, que parecia ter falecido há pouco tempo. Quando chegaram perto, a toupeira abriu um buraco no teto de terra, deixando entrar um pouco de luz. Ali estava uma andorinha, as alas coladas ao corpo, provavelmente morta de frio.

Polegarzinha ficou muito triste, pois adorava ouvir os pássaros cantando no verão. Mas a toupeira deu um empurrão desdenhoso no pássaro com a pata e disse que não era de se estranhar que um bicho que só sabe cantar morra de fome no inverno. Polegarzinha ficou calada. Mas, quando os outros se afastaram, ela se abaixou e beijou de leve os olhos fechados da andorinha.

Naquela noite Polegarzinha não conseguiu dormir. Teceu um tapete de feno, levou-o até o pássaro e o cobriu com cuidado. Quando encostou a cabeça no peito dele, sentiu: o coração ainda batia! A andorinha não estava morta, apenas enrijecida pelo frio, e o calor foi devagar trazendo-a de volta à vida.

Na noite seguinte, a andorinha já conseguia abrir os olhos. — Muito obrigada, criança boa — sussurrou. Durante todo o inverno, Polegarzinha cuidou dela em segredo, pois o camundongo e a toupeira não gostariam de saber da andorinha. Quando finalmente chegou a primavera, a andorinha já estava forte o bastante para voar.

— Venha comigo! — pediu ela a Polegarzinha. — Você pode sentar nas minhas costas, e voamos para o bosque verde! Mas Polegarzinha não quis deixar o velho camundongo triste e sozinho, e disse: — Não, eu não posso.

— Adeus, adeus, minha querida e boa amiguinha! — gritou a andorinha, voando para o alto, para o sol. Polegarzinha a viu partir com lágrimas nos olhos.

O trigo cresceu alto, e o camundongo anunciou: — Agora você é uma noiva, Polegarzinha! A toupeira pediu sua mão. Polegarzinha teve de tecer seu ajuar, embora não gostasse nem um pouco da toupeira, tão sem graça. Todas as manhãs e todas as tardes, ela se escapulia para ver o céu azul entre as espigas e pensar na querida andorinha.

Quando chegou o outono e o casamento se aproximava, Polegarzinha chorou e disse que não queria se casar com a toupeira. Mas o camundongo a repreendeu: — Não seja teimosa! Ele tem a cozinha e o porão cheios — agradeça a Deus por isso!

No dia em que a toupeira veio buscá-la, Polegarzinha saiu mais uma vez à porta para se despedir do sol. Abraçou uma pequena flor vermelha e murmurou:

— Se você vir a andorinha, mande um abraço meu para ela!

Naquele instante, ouviu-se no alto: "Quivit, quivit!" Era a andorinha, que por acaso passava por ali! Ao ouvir como Polegarzinha estava infeliz, ela disse:

— O inverno está chegando, e eu vou voar para terras quentes. Venha comigo, bem longe dessa toupeira sem graça, para onde o sol brilha mais bonito e é sempre verão!

— Sim, eu vou com você! — respondeu Polegarzinha. Sentou-se nas costas da andorinha, amarrou-se com o próprio cinto, e lá se foram, voando alto sobre florestas, lagos e montanhas, enquanto Polegarzinha se aconchegava nas penas quentinhas da andorinha para se proteger do frio.

Por fim chegaram às terras quentes, onde o sol brilhava mais forte, onde os limões e as laranjas perfumavam o ar e as flores mais bonitas floresciam. Ali, sob árvores antigas, à beira de um lago azul, havia um castelo de mármore branco, onde a andorinha tinha seu ninho.

— Escolha uma das flores mais lindas — disse a andorinha — para você morar nela, tão bem quanto puder desejar.

Polegarzinha escolheu uma grande flor branca que crescia entre as ruínas de uma coluna caída. E qual não foi seu espanto: no meio da flor havia um homenzinho, transparente como vidro, com uma coroa de ouro e asas delicadas — o rei de todas as flores.

A princípio ele se assustou com a andorinha enorme, mas, ao ver Polegarzinha, ficou radiantíssimo, pois ela era a menina mais bonita que já tinha visto. Colocou sobre a cabeça dela sua coroa de ouro e perguntou se ela queria ser sua esposa e rainha de todas as flores. Que noivo tão diferente do filho do sapo, ou da toupeira de pelo de veludo negro! E Polegarzinha disse sim, com todo o coração.

De cada flor saíram pequenas damas e cavalheiros trazendo presentes, e o mais bonito de todos foi um par de asas delicadas, que prenderam em suas costas, para que ela também pudesse voar de flor em flor. O rei das flores disse:

— Você não vai mais se chamar Polegarzinha, esse nome não combina com você. Vamos chamá-la de Maia.

Lá no alto, em seu ninho, a pequena andorinha cantou a canção de casamento, o mais bonito que pôde, embora seu coração estivesse pesado, pois teria de se separar da amiga que lhe salvara a vida.

— Adeus, adeus! — gritou por fim, voando para longe, de volta ao norte, onde construiu seu ninho sobre a janela de um homem que sabia contar histórias. Para ele cantou seu "Quivit, quivit" — e foi assim que soubemos toda a história de Polegarzinha.