
A Arca de Noé
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Deus vê que a terra está cheia de violência e decide mandar um dilúvio. Noé, um homem justo, recebe dele uma ordem: construir uma arca coberta de piche e levar para dentro a família e um casal de cada espécie de animal. Quando a arca fica pronta, Deus avisa que daqui a sete dias vai chover.
Nos tempos antigos, quando a humanidade já tinha se espalhado por toda a terra, Deus olhou para o mundo e viu que a maldade das pessoas era grande. Tudo o que pensavam e planejavam era ruim, o tempo todo, e a terra estava cheia de violência.
Deus ficou muito triste e se arrependeu de ter feito o ser humano. Então disse:
— Vou apagar da face da terra as pessoas que criei, e com elas os animais, os bichos que rastejam e as aves do céu. Estou arrependido de tê-los feito.
Mas Deus se agradava de um homem: Noé. Ele era justo e direito e andava com Deus. Tinha três filhos, Sem, Cam e Jafé.
Deus disse a Noé:
— O fim de todos os seres vivos chegou. A terra está cheia de violência por causa das pessoas, e eu vou destruí-las junto com a terra. Construa uma arca de madeira resistente. Faça compartimentos dentro dela e cubra tudo com piche, por dentro e por fora. A arca vai ter três andares, uma janela no alto, perto do teto, e uma porta na lateral.
— Eu vou mandar um dilúvio sobre a terra — continuou Deus —, e tudo o que respira debaixo do céu vai morrer. Mas com você eu vou fazer uma aliança. Você vai entrar na arca com sua esposa, seus filhos e as esposas de seus filhos. Leve também com você um casal de cada espécie, macho e fêmea, das aves, do gado e de todos os bichos que rastejam no chão, para que fiquem vivos. E junte todo tipo de comida, para vocês e para eles.
Noé fez tudo exatamente como Deus tinha mandado.

Quando a arca ficou pronta, Deus falou com ele outra vez:
— Entre na arca com toda a sua família, porque, de todas as pessoas do seu tempo, só você é justo aos meus olhos. Dos animais puros, leve de sete em sete, macho e fêmea; dos que não são puros, de dois em dois. Das aves do céu, leve também de sete em sete, para que a vida continue na terra. Daqui a sete dias, vou fazer chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e vou apagar da face da terra todos os seres vivos que eu fiz.
E, mais uma vez, Noé fez tudo o que Deus lhe ordenou. Ele tinha seiscentos anos quando o dilúvio chegou.
Passados os sete dias, Noé entrou na arca com a esposa, os filhos Sem, Cam e Jafé e as três esposas deles. Depois vieram os animais, de dois em dois, macho e fêmea: bichos do mato e gado, tudo o que rasteja no chão, aves e passarinhos de todo tipo. Todos entraram, como Deus tinha mandado. Então Deus fechou a porta atrás deles.
Naquele mesmo dia, a água jorrou de todas as fontes que havia debaixo da terra, as comportas do céu se abriram, e choveu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
As águas foram subindo e ergueram a arca, que boiava cada vez mais alto. Por fim, até as montanhas mais altas que havia debaixo do céu ficaram cobertas.

Todas as pessoas e todos os animais que viviam em terra firme morreram no dilúvio: o gado, os bichos do mato, os que rastejam e as aves. Só ficaram vivos Noé e os que estavam com ele na arca. E as águas cobriram a terra durante cento e cinquenta dias.
Então Deus se lembrou de Noé e de todos os animais que estavam com ele na arca. Fez soprar um vento sobre a terra, e as águas se acalmaram. As fontes debaixo da terra e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou.
Pouco a pouco, a água foi recuando. No sétimo mês, a arca parou sobre as montanhas de Ararat. A água continuou baixando, e no décimo mês apareceram os picos das montanhas.
Quarenta dias depois, Noé abriu a janela que tinha feito na arca e soltou um corvo. O corvo saiu e ficou indo e voltando por cima das águas, até a terra secar.
Depois Noé soltou uma pomba, para ver se as águas já tinham baixado. Mas a pomba não encontrou onde pousar, porque a água ainda cobria a terra inteira, e voltou para a arca. Noé estendeu a mão, pegou a pomba e a trouxe para dentro.
Sete dias mais tarde, soltou a pomba de novo. Ao entardecer, ela voltou trazendo no bico uma folha verde de oliveira, que tinha acabado de arrancar. Assim Noé ficou sabendo que as águas tinham baixado.

Esperou mais sete dias e soltou a pomba outra vez. Dessa vez, ela não voltou.
Quando Noé fez seiscentos e um anos, no primeiro dia do primeiro mês, as águas sumiram da terra. Noé tirou a cobertura da arca, olhou para fora e viu que o chão estava seco. Então Deus disse a ele:
— Saia da arca com sua esposa, seus filhos e as esposas de seus filhos. Traga para fora todos os animais que estão com você, as aves, o gado e todos os bichos que rastejam no chão, para que tenham filhotes, se multipliquem e encham a terra.
Noé saiu com a família, e atrás deles saíram da arca todos os animais, cada um com os da sua espécie.
Ali mesmo, Noé construiu um altar para Deus. Pegou alguns animais puros e algumas aves puras e os queimou sobre o altar, como oferta.
Deus sentiu o cheiro agradável da oferta e disse para si mesmo:
— Nunca mais vou amaldiçoar a terra por causa das pessoas, mesmo que elas pensem coisas más desde pequenas. Nunca mais vou destruir todos os seres vivos, como fiz agora. Enquanto a terra existir, não vão deixar de existir o plantio e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite.
Deus abençoou Noé e os filhos dele e disse:
— Tenham muitos filhos e encham a terra.
Depois Deus falou de novo com eles:
— Agora eu faço uma aliança com vocês, com os seus descendentes e com todos os seres vivos que estão com vocês: as aves, o gado e os animais selvagens, todos os que saíram da arca. Nunca mais os seres vivos vão ser destruídos pelas águas de um dilúvio. Nunca mais vai haver dilúvio para destruir a terra.
E acrescentou:
— Este é o sinal da aliança que faço com vocês e com todos os seres vivos, para sempre: eu coloquei o meu arco-íris nas nuvens. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nelas, vou me lembrar da minha aliança, e as águas nunca mais vão virar um dilúvio para destruir a vida. O arco-íris vai ficar nas nuvens, e eu vou olhar para ele e me lembrar dessa aliança, que não tem fim.

E Deus disse a Noé:
— Este é o sinal da aliança que eu fiz com todos os seres vivos da terra.
Recontado pela Talerie, fonte: Bíblia de Almeida (abre em uma nova janela) Domínio público Copie este texto, adapte e use como quiser. Um link para a Talerie é bem-vindo, mas não é obrigatório. CC0 1.0 (abre em uma nova janela)

