
A Lenda do Jabuti
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Um jabuti pequeno matou uma anta enorme e segue pela beira do rio para chamar os parentes. O cervo não acredita na história e quer apostar uma corrida com ele, cada um de um lado do rio.
Era uma vez um jabuti pequeno que tinha matado uma anta, e uma anta bem grande! Todo contente, ele seguiu pela beira do rio para chamar os parentes, e no caminho deu de cara com o cervo.
— Aonde você vai, jabuti? — perguntou o cervo.
— Vou chamar meus parentes. Quero que eles venham ver a minha caça: uma anta enorme!
— Então você matou uma anta?! — disse o cervo. — Pois vá chamar a sua gente toda. Eu fico aqui mesmo, quero ver essa turma chegar.
O jabuti pensou melhor.
— Então não vou mais. Volto daqui mesmo e espero a anta apodrecer, para tirar um osso dela e fazer a minha gaita. Bom, cervo, já vou indo.
Mas o cervo não acreditava que o bicho mais lento da mata tivesse dado conta de uma anta.
— Você matou uma anta, é? Pois então quero ver você apostar uma corrida comigo.
— Então me espere aqui — respondeu o jabuti. — Vou ver por onde eu corro.
— Você corre pelo outro lado do rio — disse o cervo. — E toda vez que eu gritar, você responde.
— Então já vou.
O cervo ainda caçoou dele:
— Vai, e nada de ficar para trás! Quero ver essa sua coragem.
— Me espere mais um pouco — pediu o jabuti. — Deixe eu chegar à outra margem.
Assim que chegou lá, longe dos olhos do cervo, o jabuti chamou todos os seus parentes. Foi pondo um depois do outro ao longo da margem do riozinho, todos prontos para responder ao cervo bobo.

— Fiquem aqui — disse ele. — Quando o cervo gritar, vocês respondem.
Depois gritou para o outro lado do rio:
— Cervo, você já está pronto?
— Já estou pronto!
— E quem corre na frente?
O cervo deu risada.
— Pode ir na frente, seu molenga.
Mas o jabuti não correu nada. Enganou o cervo direitinho e foi esperar no fim da corrida.
E o cervo estava tranquilo, porque confiava nas próprias pernas.
Lá na frente, um dos parentes do jabuti chamou pelo cervo, que respondeu de longe, lá de trás:
— Lá vou eu, tartaruga do mato!
O cervo correu, correu, correu, e depois gritou:
— Jabuti!
E lá da frente, sempre da frente, um parente do jabuti respondeu.

— Lá vou eu, tartaruga do mato! — disse o cervo.
Correu, correu, correu, e gritou de novo:
— Jabuti!
E lá da frente, sempre da frente, um parente do jabuti respondeu.
A essa altura, o cervo já não aguentava mais.
— Vou beber um pouco de água — disse.
E ali mesmo se calou.
No fim da corrida, o jabuti gritou, gritou, gritou… Ninguém respondeu.
— Será que aquele lá já morreu?
E disse aos companheiros:
— Vou lá ver o cervo, devagarinho.
Quando chegou à margem do rio, bem devagar, o jabuti disse, todo prosa:
— Eu nem suei.
Então chamou:
— Cervo!
Nem um pio. O cervo não respondeu nada.
Os parentes do jabuti olharam bem para o cervo e disseram:
— É verdade, ele já está morto.
O cervo tinha morrido de cansaço, de tanto correr.
— Vamos tirar um osso dele — disse o jabuti.
— Para que você quer esse osso? — perguntaram os outros.
— Para fazer a minha gaita e soprar nela para todo o sempre. Agora eu vou embora daqui. Até um dia!

E o jabuti foi embora com o osso do cervo, para tocar a sua gaita.
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