
O Dragão de Wawel
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Um dragão enorme mora numa caverna embaixo do morro de Wawel e engole três animais de uma vez só. Toda manhã, Cracóvia lhe paga um tributo para ficar em paz, até que o sapateiro Skuba procura o rei Krak com uma ideia.
Era uma vez um dragão enorme que vivia numa caverna embaixo do morro de Wawel, na beira do rio Vístula. Naquele tempo ainda não havia castelo lá em cima. O castelo de Cracóvia só foi construído muito depois, no alto daquele mesmo morro.
O dragão tinha uma fome sem fim. Engolia três animais de uma vez só, e às vezes saía da caverna, pegava gente e comia também.

Para que ele deixasse a cidade em paz, o povo de Cracóvia tinha de pagar um tributo: toda manhã, três bezerros ou três carneiros eram deixados diante da caverna. E toda manhã o dragão saía, comia os três e voltava para dentro do morro. Assim passavam os dias, um depois do outro.
Quem governava a cidade ao pé do morro era o rei Krak. Em Cracóvia morava também um sapateiro chamado Skuba, um homem simples, que um dia foi falar com o rei.
— Vossa Majestade, eu tive uma ideia — disse Skuba.
— Fale — respondeu o rei.
O sapateiro explicou o plano. Era preciso pegar a pele de um bezerro, enchê-la de enxofre e costurá-la bem, para que parecesse um bezerro dormindo. De manhã, no lugar do tributo do dia, deixariam a pele recheada diante da caverna.
O rei Krak gostou da ideia e mandou fazer tudo como o sapateiro tinha dito. Encheram a pele de enxofre até não caber mais nada, e ela ficou parecendo um bezerro de verdade, deitado e quieto.

Bem cedo, levaram o bezerro até a entrada da caverna e o deixaram ali, no lugar onde todos os dias ficavam os três animais. Depois o povo de Cracóvia foi esperar do outro lado do rio.
O dragão saiu da caverna, farejou o ar e viu o bezerro. Achou que era o tributo de sempre e o engoliu inteiro, numa bocada só.
Logo o enxofre começou a arder dentro da barriga dele. Não foi coisa de um instante: queimava devagar, por muito tempo, e o dragão sentia um calor cada vez maior por dentro. Então ele se arrastou até o Vístula e começou a beber água. Bebeu, e bebeu, e bebeu, mas a quentura lá dentro não passava. Bebeu tanto que morreu ali mesmo, na beira do rio.

Assim Cracóvia ficou livre do dragão. O rei Krak não se esqueceu de quem tinha tido a ideia: deu a Skuba bons presentes e cuidou para que nunca mais lhe faltasse nada.
Hoje, no alto do morro de Wawel, fica o castelo de Cracóvia. E lá embaixo, aos pés do castelo, ainda se pode ver a caverna onde o dragão morava, que até hoje se chama Caverna do Dragão.
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