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Um pãozinho dourado e sorridente rola por um caminho de terra entre bétulas, e uma raposa se inclina para ele; ao fundo, uma casinha com telhado de palha.

Kolobok

Konstantin Ushinski

4 min de leitura a partir dos 3 anos

A velhinha raspa o fundo das caixas atrás de farinha e frita um pãozinho redondo, o Kolobok. Posto na janela para esfriar, ele rola estrada afora e logo dá de cara com uma lebre que quer comê-lo.


Era uma vez um velhinho que morava com uma velhinha. Um dia, o velhinho pediu:

— Minha velha, faça um kolobok para mim, um pãozinho bem redondo.

— E vou fazer com quê? — perguntou a velhinha. — Não tem farinha em casa.

— Ora, minha velha, varra o celeiro e raspe o fundo das caixas, que alguma farinha aparece.

A velhinha fez assim mesmo. Varreu, raspou e juntou umas duas mãos cheias de farinha. Amassou a farinha com nata, modelou um pãozinho redondo, fritou na manteiga e pôs o Kolobok na janela para esfriar.

Só que o Kolobok se cansou de ficar ali parado. Rolou da janela para o banco junto à parede da casa, do banco para a grama, da grama para o caminho, e lá se foi estrada afora.

O pãozinho redondo, com carinha sorridente, rola na grama sob a janela de uma casa de troncos com telhado de palha, de onde o velhinho e a velhinha se debruçam.

Ia rolando pela estrada quando deu de cara com a lebre.

— Kolobok, Kolobok, eu vou te comer!

— Não me coma, lebre. Escute primeiro a canção que eu vou cantar para você.

A lebre levantou as orelhas, e o Kolobok cantou:

Eu sou o Kolobok, Kolobok! No celeiro varrido, Nas caixas raspado, Com nata misturado, No forno assado, Na janela esfriado. Eu fugi do velhinho, Eu fugi da velhinha, De você, lebre, fugir é brincadeira!

E lá se foi o Kolobok rolando, tão longe que a lebre logo o perdeu de vista.

Pela trilha que levava à floresta, o Kolobok encontrou o lobo cinzento.

— Kolobok, Kolobok, eu vou te comer!

— Não me coma, lobo cinzento. Eu vou cantar uma canção para você.

E o Kolobok cantou:

Eu sou o Kolobok, Kolobok! No celeiro varrido, Nas caixas raspado, Com nata misturado, No forno assado, Na janela esfriado. Eu fugi do velhinho, Eu fugi da velhinha, Eu fugi da lebre, De você, lobo, fugir é brincadeira!

E lá se foi o Kolobok rolando, tão longe que o lobo logo o perdeu de vista.

No meio da floresta, veio vindo o urso, quebrando galhos secos e amassando os arbustos até o chão.

Um grande urso marrom avança entre os arbustos de uma floresta de pinheiros e bétulas, e o pãozinho redondo o espera no meio da trilha, num raio de sol.

— Kolobok, Kolobok, eu vou te comer!

— Imagine só, um desajeitado como você me comer! Escute antes a minha canção.

O Kolobok começou a cantar, e o urso ficou ali, todo ouvidos:

Eu sou o Kolobok, Kolobok! No celeiro varrido, Nas caixas raspado, Com nata misturado, No forno assado, Na janela esfriado. Eu fugi do velhinho, Eu fugi da velhinha, Eu fugi da lebre, Eu fugi do lobo, De você, urso, fugir nem dá trabalho!

E lá se foi o Kolobok rolando, e o urso só pôde ficar olhando enquanto ele se afastava.

Mais adiante, rolando sem parar, o Kolobok encontrou a raposa.

— Bom dia, Kolobok! Que bonitinho você é, e que coradinho!

O Kolobok ficou todo contente com o elogio e começou a cantar. A raposa escutava e, devagarinho, ia chegando cada vez mais perto:

Eu sou o Kolobok, Kolobok! No celeiro varrido, Nas caixas raspado, Com nata misturado, No forno assado, Na janela esfriado. Eu fugi do velhinho, Eu fugi da velhinha, Eu fugi da lebre, Eu fugi do lobo, Eu fugi do urso, De você, raposa, fugir é brincadeira!

— Que canção linda! — disse a raposa. — Só que eu fiquei velha, meu bem, e já não escuto direito. Sente aqui no meu focinho e cante mais uma vezinha.

Todo prosa com o elogio à canção, o Kolobok pulou no focinho da raposa e começou a cantar:

Eu sou o Kolobok, Kolobok!

De olhos semicerrados e sorriso matreiro, a raposa baixa a cabeça até a grama, e o pãozinho redondo, pousado na ponta do focinho dela, abre a boca para cantar.

E nhac! A raposa comeu o Kolobok.

Que nota você dá para este conto?

Recontado pela Talerie, fonte: Родное слово (abre em uma nova janela) Domínio público