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Retrato em aquarela de um homem jovem de cabelo escuro ondulado, bigode e barba curta, de paletó escuro e laço de fita preta, sentado diante de uma estante.

João Martins da Silva Coutinho

Brasil 1830–1889

João Martins da Silva Coutinho (1830–1889) nasceu em São João da Barra, na província do Rio de Janeiro, e foi engenheiro militar, geólogo e explorador da Amazônia. Estudou engenharia na antiga Escola Militar do Rio, onde se formou entre os melhores alunos, e chegou a major do Corpo de Engenheiros do Exército. Escreveu sobre rios, cacau, borracha e guaraná.

Quando Louis Agassiz chegou ao Brasil, ele já conhecia bem a região. Nos anos 1850 foi inspetor-geral da medição de terras públicas no Pará. Mais tarde percorreu o Purus e o Madeira a pedido do governo do Amazonas e propôs uma estrada de ferro para contornar as cachoeiras do Madeira. Em 1863 foi o primeiro a localizar fósseis de invertebrados paleozoicos no vale do Tapajós. Tinha aprendido a língua geral e estudado os povos dos rios, sobretudo os Munduruku. Em 1865 e 1866 acompanhou Agassiz pela Amazônia como engenheiro do governo, e o naturalista o chamou de “um guia sem igual e um amigo”.

Em junho de 1870 publicou na Revista Agricola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura uma notícia sobre o guaraná, que ele escrevia uaraná, sem o g. Tinha visto a planta crescer no mato entre o Tapajós e os rios Mamuru, Andirá e Maués, e conta como ela é cultivada, como se faz a pasta de guaraná e como era o comércio com Mato Grosso. Explica também que para o povo Maué o uaranazeiro era uma árvore sagrada, que dava alimento e remédio, venerada como a tamareira entre os árabes. O artigo termina com a lenda da origem da planta, que ele apresenta com as palavras “Eis a lenda do uaraná”. É o registro impresso mais antigo dessa lenda que encontramos.

Depois disso representou o Brasil em exposições universais: foi jurado em Paris em 1867, quando Napoleão III o fez cavaleiro da Legião de Honra, e secretário da comissão brasileira na Filadélfia em 1876. Dirigiu a seção de geologia e mineralogia do Museu Nacional entre 1875 e 1876, trabalhou em companhias de estradas de ferro e foi o primeiro presidente do Clube de Engenharia, de 1880 a 1881. Morreu em Paris em 1889, aonde tinha ido para a Exposição Universal.

Lendas de João Martins da Silva Coutinho

1 lenda