
A Lenda da Matinta Perera
6 min de leitura a partir dos 8 anos

Brasil 1854–1923
João Hosannah de Oliveira (1854–1923) foi um jurista e político do Pará que também escreveu sobre as crenças populares da Amazônia. Nasceu em Belém, formou-se bacharel em Direito pelo Recife e foi desembargador e procurador-geral do Estado do Pará. De 1901 a 1917 foi deputado federal pelo Pará.
Antes disso, nos anos 1880, tinha dirigido a instrução pública do Amazonas. Católico atuante, escrevia para a revista Vozes de Petrópolis, e foi lá que saiu sua história da matinta-perera, reunida em 1916 no livro Lendas Amazônicas, organizado por José Coutinho de Oliveira. Nela ele conta, em primeira pessoa, uma noite em que ouviu o assobio da matinta-perera e a conversa da manhã seguinte com um vizinho que acreditava nela. O vizinho, mestre José, garante que a matinta é uma bruxa, uma velha que todo mundo ali conhece. O narrador ri, defende a pobre velha e fica com a ideia de um pássaro noturno, e a história termina assim: “O mestre José calou-se, mas não me pareceu convencido.” Escreveu outras histórias desse tipo para a revista e, em 1922, publicou em Petrópolis o livro Lendas e factos de minha terra.
Depois de ficar viúvo, afastou-se da vida pública. Em 1919 entrou para os salesianos e, em 1922, ordenou-se padre, um ano antes de morrer no Rio de Janeiro. Quando escreveu a história da matinta-perera, ainda era leigo.
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